Opinião
Vazio: por que sentimos isso?
| Robson Kindermann Sombrio | Psicólogo CRP 12/05587
Tudo que escrevo faz parte de mim. Conversando com alguns conhecidos, percebi o quanto cada um de nós tem um vazio dentro de si. Todos nós temos nossos problemas, nossas dificuldades, mas muita gente não consegue identificar esse aperto no peito que nos angustia, outros mal percebem que ele está aqui perto, presente. Nesse contexto, por que perdemos a vontade de jogar futebol (algo que gostávamos tanto no passado)? O que posso escrever é que tudo muda, com passar dos tempos, os nossos gostos, as nossas vontades vão mudando, nada de tão ruim nisso.
O que a gente sempre precisa é ser feliz, ninguém nasceu pra sofrer e merece sofrimento. O que precisamos reconhecer e o que nos incomoda, e mais que isso, observar como essa falta primordial é capaz de conduzir (nem sempre de uma maneira mais inteligente) a maioria dos nossos movimentos existenciais. A sensação que tenho é que falta algo mais instigante e mais sábio a cada um de nós. Leitor, precisamos achar pessoas mais legais para jogar conversa fora, precisamos encher nossa vida de assuntos mais positivos.
Chegando mais perto desse vazio a que me refiro: as pessoas não estão felizes tendo comida na mesa, utilizando um bom carro para se locomover, casa na praia, colégio particular sendo pago, dinheiro para jantar em bons restaurantes nos fins de semana. Você pode pensar. Mas quem não vai estar feliz utilizando de tudo isso? Ou seja, não é disso que a gente precisa para ser feliz? A felicidade e o bem-estar vêm de dentro, não se compram. O ser humano sempre está querendo mais e mais.
O que a gente precisa é preencher esse vazio. Não se trata de suprir o desejo, mas de transformá-lo. De desejar um pouco menos aquilo que nos falta e um pouco mais aquilo que nós temos. O mais importante é sabermos que existe esse vazio interno (pode se transformar em uma descoberta fascinante). Por que, no fundo, é a falta que nos move. E há outro motivo que precisa ser lembrado, assim que realizamos um projeto, outro buraco se forma, outra falta que precisará de preenchimento.
Por fim, a posse de bens não nos torna nem melhores e nem mais felizes. Aqui é bom lembrar que nenhuma satisfação é duradoura. Assim, é necessário aceitar a vida como ela é e reconciliar-se consigo mesmo. A felicidade está dentro de nós, e não fora, no outro, no futuro ou em outras circunstâncias.






