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Textos: Redação Fotos: Renan Medeiros
Um poeta na portaria do edifício
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Quem ouve Valdir Emílio Vieira dizer que escreve “alguma coisinha, uma bobiça aqui e outra ali” não imagina o que ele tem guardado, entre poemas, contos e crônicas, digitados e manuscritos. O porteiro aposentado de 63 anos diz buscar inspiração em tudo para escrever. “Nas pessoas, no dia a dia, no trabalho. Quando a gente acorda e tem um passarinho cantando, ali já há inspiração”, revela.
Além de numerosos, os versos de Vieira prendem a atenção de quem os lê. “Eu faço malabarismo com as rimas. Não deixo rimar só no final, como algumas pessoas fazem. Os meus poemas inteiros são feitos com rimas”, explica o morador da Rua Domingos Neto, no Bairro São Luiz, em Criciúma.
Com as pastas e os cadernos em mãos, Vieira mostra algumas das obras. “Este é sobre a minha esposa, meu porto seguro. Este é sobre o meu pai. Este é sobre Orleans, minha terra natal. Este é sobre um rio que passava perto da empresa onde eu trabalhava, lá em Cocal”, detalha. “Ser poeta é isso: fugir do comum e ser discípulo da liberdade. Por isso o poeta, às vezes, é taxado de louco”, brinca o porteiro escritor.
Casado e pai de um filho de 21 anos, atualmente, além de trabalhar na portaria do edifício Comasa, em Criciúma, ele tem se dedicado a escrever um livro. “Vai se chamar Pétalas ao Vento”, antecipa. “Tenho trabalhado em uns poemas comparando as coisas como eram antes e como são agora. Tem um pouco de nostalgia nisso, não tem como não ter”, opina Vieira, que diz escrever desde que tinha dez anos de idade.
O Tigre como uma das maiores paixões
Valdir confessa ter dificuldades, no entanto, para escrever sobre a maior paixão depois da família: o Criciúma Esporte Clube. “Eu já tentei escrever sobre o Tigre, mas não tem como, não sei o porquê. Eu me sinto tão pequeno diante daquela grandeza do Criciúma, daquilo que ele significa para mim, que não consigo produzir nada que esteja à altura”, declara ele, que é sócio patrimonial desde 1978.
Sobre o que é ser poeta, ele define com um verso: “Ser poeta é extrair da vida a beleza oculta. É interpretar o silêncio de tudo o que se cala. É desvendar o segredo de tudo aquilo que não se escuta. Ser poeta é ser a voz de tudo o que não fala”.






