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Opinião

quarta | 14/09/2011 06:00:00

Tristezas e alegrias

| Robson KIndermann Sombrio | Psicólogo CRP 12/05587

As aflições, as tristezas e as angústias, são partes de uma vida. Mas, as comemorações, as alegrias e os risos, também são partes de uma vida. Escrevo isso como uma linguagem rápida. Rápida é a vida. Se eu disser para você que hoje, acordei triste, que não foi muito legal ter que sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava radiando na janela do meu quarto, convidando eu e você para a vida. Acordei com ânimo pra baixo, nem as providências, que eu tinha que tomar, simples eu estava conseguindo fazer.
Estar triste, não é estar deprimido. A tristeza é normal. Porque quando estamos desanimados, também está tudo normal, pois, ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo, quanto a alegria, é um registro da nossa sensibilidade. Neste contexto, o que acho estranho é como negamos quando a tristeza bate em nossa porta. Outro dia um amigo meu falou que seu cachorro estava debilitado, fraco, perto de morrer. O mesmo disse: "se morrer, morreu, fazer o quê?". Como se nada o tivesse atingido. Mas aquilo, era claro, que o atingiria.
Todos nós que nascemos, um dia vamos morrer. Essa é a lógica da vida, e o processo natural. Mas, voltando ao assunto do meu colega, não podemos disfarçar a dor, nós até tentamos fingir que nada estamos sentindo. Mas, no fundo, estamos. Claro que temos que olhar no horizonte e seguir a vida. O que quero dizer, é que se meu cachorro partisse dessa vida eu ficaria muito triste, pois, perder dói. Como podemos dizer que "não dói", que está tudo bem, se às vezes, não está. Será que aprendemos assim? Disfarçar o que sentimos?
Estar triste é, estar atento a si próprio. Estar desapontado com alguém dói.
Estar desanimado dói. Descobrir que nosso animal de estimação está doente, dói. Entretanto, quando descobrimos que somos frágeis é um bom processo de cura. Nesse sentido, todos sabemos o que é a tristeza, mas poucos enfrentam de fato. Devemos compreendê-la não disfarçá-la, sufocá-la. A tristeza tem seu direito de existir.
Por fim, claro que é melhor sermos alegres do que tristes. Mas, o melhor é quando não nos privamos de sentir o que for. Na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns minutos tristes, abaixo da euforia. Lembrando que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, anunciando o fim de mais uma dor, até que venha a próxima...