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Opinião

quarta | 28/09/2011 09:10:00

Teatro sem ensaios

Carlos Matias professor

Pensar reflexivamente é o que mais gosto de fazer. Mesmo que isso me cause certo estranhamento perante a vida. Não gosto de ficar horas e horas assombrado com o poder do pensamento. Não sei com exatidão quando comecei a ter estes momentos fortes de reflexão, sei apenas que conversar comigo mesmo é assustador e incalculavelmente prazeroso.
Talvez a música possa ter me levado a ser tão reflexivo. Ou, quem sabe, a leitura? O amor? Quem sabe a solidão? A depressão? O medo? Não, não! Pode ser que nada disso tenha contribuído para meu despertar filosófico ou é bem provável que tudo isso tenha contribuído para o meu despertar humanóide. Acontece que estou envelhecendo e sentir o tempo passar me provoca pensamentos um tanto quanto fatalistas. Explico-me. É bem simples o que quero dizer com isso: quanto mais penso na existência, na felicidade, no dinheiro, no amor, na profissão, no mundo, menos compreendo as explicações ou as convenções que a grande maioria das pessoas insiste em seguir. Impressiona-me ver as pessoas adultas criando e recriando explicações, quase sempre tolas, para sustentar uma vida medíocre de atitudes, medíocre de existência. O que me fascina, nos momentos reflexivos, é justamente poder me livrar dessas convenções toscas e curtir minha existência de modo livre, sadio, solitário. Gosto muito de ver como vivem as crianças, refiro-me às muito pequenas, menos de um ano. Conseguem ser intensas como é o universo. É tão triste ser um adulto e, por causa desstas tolas convenções, deixar de perceber a intensidade que vibra o universo. Quantas explicações se sobrepõem à verdadeira vida. Veja bem, não estou negando a ciência nem a genial prática racional de viver. Estou desafiando os donos da "verdade". Quanta morte por causa desses tolos donos da verdade. Quanta gente que ainda respira, mas está morta. Que terrível.
Cada dia que existo, fico mais e mais fascinado pela descoberta de minha solidão neste mundo. Nascer é tão solitário quanto morrer. Quando nascemos, estamos literalmente sozinhos, nascendo... Algo maravilhoso! Quando morremos, acredito que é tão solitário quanto nascer. Se morrermos de velhice, acredito que é muito solitário. Pode ter muita gente ao nosso redor, chorando, nos apoiando, nos abraçando, nos amando... No entanto, quem morrerá será solitariamente você! Eu! Aquele que não vibra mais! "A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos". (Chaplin)