Opinião
Sois bem-vindos 2012
| Giovani Felipe | Academico de história da Unesc- Criciuma
Feliz ano novo. O ano é novo, porém os desejos, os sonhos e as promessas da maioria do povo são os mesmos. Há muito tempo ano novo é sinônimo de mudança, mas não existe mudança sem comprometimento e planejamento. O ano será da mesma forma se houver os mesmos hábitos. Todavia a autoestima se eleva, as esperanças aumentam para que o ano que está surgindo realmente traga prosperidade e realizações. O que você deseja em 2012?
Primeiramente que 2012 é este? O ano a ser vivido é 2012 do quê? E de quem? O eurocentrismo, Católico, mas precisamente o Papa Gregório XIII reuniu um grupo de especialistas europeus do velho mundo para reformar o calendário Juliano e, passados cinco anos de estudos, foi elaborado o calendário gregoriano, que foi sendo implementado lentamente em várias nações. Oficialmente o primeiro dia deste calendário foi 15 de outubro de 1582. Impuseram um calendário e todos os povos no mundo o acataram, exceto: Israel, Irã, Índia, Bangladesh, Paquistão, Argélia, etc. Desrespeitaram o calendário chinês. Estamos no ano 4.709 do calendário chinês. Desrespeitaram o calendário judaico que está no ano de 5.773. Os próprios europeus, algumas nações só foram aceitar o novo calendário no século XX. É o caso da Alemanha, que só o assumiu em 1700 d.C.; a Inglaterra em 1751 d.C.; a Bulgária em 1917; a Rússia em 1918; a Romênia em 1919 e a Grécia só em 1923.
Nós, americanos, pertencentes ao novo mundo, estamos neste ano vivenciando um dilema de mito do fim do mundo, causado por achados escritos de uma civilização Maia. Esta civilização é a mais antiga do novo mundo. A civilização Maia já existe há mais de 3 mil anos e, na época da chegada dos europeus ao encontro desta civilização com os conquistadores espanhóis, o sistema de calendários dos maias já era estável e preciso, notavelmente superior ao calendário gregoriano, porém os europeus sucumbiram este sistema desrespeitando uma civilização inteira.
O calendário gregoriano leva em conta o nascimento de Cristo, mas nem mesmo usando estes métodos conseguiram ser precisos. Alguns historiadores e teólogos afirmam que há um atraso de seis a sete anos, pois cristo nasceu no ano seis ou sete d.C. Assim somos povos que nem ao menos temos coerência para comemorar um ano novo, somos manipulados por um sistema capitalista e por interesses que jamais são os nossos. Desta forma o que nos resta é acreditar e criar uma ideia de que o próximo ano será melhor. O ano é novo, contudo os velhos hábitos são os mesmos, pois estamos inseridos dentro de uma estrutura, sem ao menos criticar e nos perguntar, onde estamos? E para onde vamos? Vivenciamos um Natal, alguns dias que estão longe de ser a nossa cultura. A nossa cultura é a de um povo guerreiro, lutador, batalhador, mas que ainda usa um cabresto e segue os interesses de europeus e norte-americanos.
São bem-vindos dias novos. É o que eu desejo e assim que acredito e vivo um dia de cada vez, como se fosse o último. Um dia novo repleto de realizações. Um novo dia dentro de um novo tempo de paz e realizações, com um povo mais crítico, um povo mais presente dentro das realizações comunitárias, um povo presente nas questões políticas e na economia, sem corrupção. Um povo autêntico. Sendo assim, serão todos os dias novos, pois estaremos vivendo uma utopia jamais imaginada. Não há nada como o sonho para criar o futuro. Utopia hoje, utopia de tentarmos ser bem mais do que simplesmente existir.






