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Opinião

sábado | 29/10/2011 06:00:00

Sem comunicação... à deriva!

| Carlos Matias | professor

Muitas são as dúvidas ou, quem sabe, as respostas que não queríamos. O fato é que entramos mais uma vez na chamada reta final do ano letivo. Correria para passar direto, angústia para ver se vai passar de ano, expectativa para o vestibular, enfim, é a educação como nunca: normal, previsível, ordinária.
Talvez o mais difícil no interminável debate sobre educação nem seja compreender o fiasco da má qualidade, ou a interminável e inexplicável falta de entusiasmo de alunos e professores... Penso que o desafio anda mais próximo da falta de comunicação e, neste ponto, permita-me, leitor, dizer a qual comunicação estou me referindo. Refiro-me à compreensão do processo ensino/aprendizagem presente em todas as relações humanas, não importando se ela é formal ou informal. Sabemos (deveríamos ao menos), nós professores, que a educação não se dá unicamente em sala de aula, muito menos exclusivamente na escola. Por isso pode (e eu acredito que sim) estar ocorrendo um grande equívoco na dinâmica da comunicação entre os indivíduos do processo, e aqui relembro que são: os alunos, os professores, o Governo e os pais. Na hora mais "sagrada" do ensino/aprendizagem, quando devemos perceber que, neste processo do aprender/ensinar, todos nós ensinamos e aprendemos num movimento contínuo e brilhante de trocas de ideias, desejos, esperanças e criatividades, está ocorrendo alguma "coisa bem intencionada" que não tem contribuído em nada com a educação. Vemos professores brilhantes com alunos brilhantes não terem minimamente a compreensão do que seja política. Vemos pais presentes, atuantes, comprometidos com a educação sem saberem ou sem conseguirem caracterizar o que é um cidadão, ou como devemos agir e pensar, lutar pelos nossos direitos como um cidadão numa democracia. Vemos políticos sérios, comprometidos, corajosos sem saber discernir Socialismo de Capitalismo com clareza. O que acontece, leitor, com nossa comunicação?
Quando se quer ter uma boa orquestra, o maestro precisa ter bons músicos; quando se quer ter um bom coro, o maestro precisa ter bons cantores; quando se quer ter um bom time, o treinador precisa de bons atletas... Como teremos uma boa comunicação se os leitores ainda são minoria? Como buscar essa comunicação se os livros ainda são "caros"? Como se vê, as soluções parecem existir, o que nos falta, talvez, ainda seja (mais) atitude!