Opinião
Sedução do consumo
| Robson Sombrio | Psicólogo CRP 12/05587
Tenho um amigo que sempre le o que escrevo antes de serem publicados os artigos. Juntos questionamos a vida, os relacionamentos, as pessoas. Entretanto, o que é importante na vida? Saiba que a felicidade pode estar presente nas coisas mais simples, nesse sentido, a alegria, muitas vezes, está relacionada com nosso bem-estar, com a natureza e junto de quem gostamos. Passamos a vida reeditando nossa autobiografia. Assim, reelaborar o passado ajuda a viver um futuro melhor.
Não temos mais o controle das coisas que ficaram para trás. Outro dia, de manhã bem cedo, estávamos conversando sobre o que a vida iria nos ensinar naquele dia: "o que será que vou aprender hoje". "O que a vida vai me oferecer". De uma coisa eu sei. Não quero ficar em uma fila de trânsito por cinco horas, não pretendo ir à praia em época de temporada alta. Hoje prefiro ficar no meu cantinho, lendo, escutando música e quem sabe até dar uma pedalada de bicicleta com minha filha. Eu gosto do silêncio, solidão é bom quando é por opção.
Estou aqui escrevendo e imaginando aquelas pessoas que moram no interior, no sítio. Não precisam pegar trânsito, não se atrasam para os compromissos, muitas não fazem dívidas para pagar a prestação do carro, ou seja, se têm dinheiro, vão e compram, se não têm, ficam com o que possuem. Essas pessoas são exemplos de vida. Não se enchem de objetos materiais para serem felizes, ou melhor, claro que algumas pessoas poderiam gozar de mais conforto, mas, sem saber disso, vivem a vida com um sorriso no rosto.
Eu queria estar agora em contato com a natureza. Colocando os pés na grama, tirando o sapato apertado, desligando o telefone celular. Queria estar em paz comigo e com minha família, a quem tanto admiro e amo. Fico aqui imaginando a felicidade das pessoas que moram no interior, assim meus sentimentos se acalmam, tenho uma leve sensação de conforto. Deveríamos fazer uma revolução contra o consumismo, ficar um dia sem comprar nada, nadinha. Mas será que conseguimos?
Às vezes, a vida dói. Ficamos tristes para saber qual o sabor da alegria. Morar na cidade também pode ser maravilhoso. Nessa vida, sentimos dores de garganta, febre, dores pelo corpo. Quero esquecer a vida agitada da cidade, na poluição das grandes cidades, no trânsito, na sedução do consumo.






