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Opinião

sábado | 26/11/2011 06:00:00

Responsabilidade, culpa e liberdade

| Robson Kindermann Sombrio | Psicólogo CRP 12/05587

Todos nós temos um caminho na vida. Ninguém pode construir em seu lugar as pontes que cada um de nós precisará passar. Transferir nossas responsabilidades para outras pessoas é um comportamento normal, que muitas pessoas (sem perceber) cometem. Trata-se de uma autopreservação, um mecanismo de defesa a que a nossa mente recorre quando o assunto fica pesado.
É com base nesse raciocínio que mantenho que todos os sentimentos humanos são diferentes, pois dependem da interpretação de cada pessoa. Escrevo mais. À medida que projetamos as expectativas sobre algumas pessoas e algumas questões, diminuímos nossa ansiedade. Assumir a culpa é um fator importante para se livrar das angústias das nossas escolhas impensadas. Diga-me: quem nunca colocou a culpa de seus erros e fracassos nos outros?
O primeiro passo para nos tornarmos livres é assumir quem somos. Nesse sentido, começamos a mexer na ferida de cada ser humano, pois dificilmente gastamos alguns minutos por semana para nosso conhecimento interior. Além disso, se eu negar quem eu sou, minha percepção de liberdade fica muito mais difícil. Ou seja, quanto eu menos me conhecer, mais difícil será perceber o EU na relação com o erro. Além do mais só é possível mudar quando assumimos nossa condição.
A questão é que transferir as responsabilidades para os outros é ilusório. Esse sentimento de sofrimento só faz que nossa tristeza com relação a esse assunto permaneça. Ou melhor, podemos pensar que, se a culpa é do outro, ela não me pertence, então nada temos a fazer a respeito (pensamos). Dessa forma, acabamos nos isentando, não apenas da culpa, mas da capacidade de lidar com aquele assunto pesado.
Por fim, todos temos assuntos de que não gostamos de falar e muito menos lembrar. Mas o legal aqui é saber que somos sim deficientes em algumas coisas na vida. Mas é preciso sair desse estado para assumir as respon-sabilidades para termos uma vida mais plena. Porque o preço da inocência é mesmo a impotência. Entretanto, ninguém pode tirar de nós as responsabilidades das consequências de nossos atos.