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Opinião

segunda | 19/12/2011 06:00:00

Recomeço do jogo que nunca termina

Julio N Scussel Lepten - Usfc

As eleições municipais do ano que vem já produzem os primeiros movimentos no complicado e indecifrável tabuleiro político do Brasil e, claro, da região; porém não é indicado tentar entender como os fatos evoluem até a definição das chapas e das composições, pois não há lógica ou razão no processo. O que sobra são sentimentos adversos, rivalidade e, sobretudo, oportunismo dos envolvidos.
É o que sempre se vê e o que veremos também neste ano, pois a letra "D" de democrático que está presente em muitas siglas é olimpicamente ignorada e os candidatos, sobretudo para prefeito, são escolhidos pela indicação dos caciques do partido, quando não, são autoindicados. As disputas das prévias partidárias, que seriam salutares, não acontecem sob risco de cisão da agremiação em torno do nome escolhido. Essa é a prova cabal de que o conceito de democracia ainda não foi digerido pelos partidos, quanto mais pelos filiados e pela população.
Em teoria, seria normal que se apresentassem vários nomes e que se construísse o debate de consenso entre eles até que um desistisse em nome do mais forte ou que os filiados decidissem por quem vale a pena lutar nas eleições, porém, essa idealização passa longe da realidade. A prática mostra que, quando isso acontece, o time perdedor simplesmente abandona o projeto partidário, mesmo que seja da maioria e o fato induz erroneamente à evitação do confronto prévio.
Desta forma, muitos filiados sequer são consultados ou sabem qual é o caminho que a agremiação tomará, porque nestas horas o feudo dos mandatários é murado e intransponível. Além dos jogos de escolha dos representantes, há o agravante que praticamente ninguém co-nhece a linha ideológica do partido ao qual pertence. Candidatos a prefeito, vice e vereadores sequer leem as diretrizes partidárias e se lançam em verdadeiras coligações que, à luz dos estatutos, são verdadeiros Frankensteins.
Em condições normais seria impossível acomodar sob a mesma coligação partidos de tendência de extrema esquerda e de extrema direita, mas, na atual linha evolutiva, não há o mínimo estranhamento se virmos PT e PP no mesmo outdoor. Esses são os efeitos colaterais de um país que necessita urgentemente de uma reforma política, que tem um povo que ainda não aprendeu, que não quer aprender e que não exerce os direitos e deveres de cidadãos minimamente politizados.
Uma população abre mão da chance de debater e escolher politicamente o futuro dos próximos quatro anos pela troca de favores e oportunidades momentâneas. O lamentável é que a máquina político-partidária sabe disso e tira proveito, pois é bom que poucos entendam e se preocupem em como funciona a enge-nhoca que mantém sempre o mesmo grupo minoritário no comando.
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