Política
Textos: Redação Fotos: Rodrigo Medeiros e Renan Medeiros
Petit-pavé versus paver: o chão da Nereu Ramos em discussão
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A substituição dos revestimentos de petit-pavé (pedras pequenas existentes em praças) por pavers (peças pré-moldadas) é o principal entrave das obras de revitalização da Praça Nereu Ramos, em Criciúma. Professores da Unesc, uma jornalista e uma arquiteta e urbanista protocolaram junto ao Ministério Público Estadual uma ação pedindo a paralisação imediata da troca de revestimento. Na manhã desta quinta-feira, a juíza substituta da Comarca de Criciúma, Tatiana Cunha Espezim, requereu à Prefeitura uma manifestação no prazo de 72 horas.
A alegação dos responsáveis pela ação é de que o material hoje assentado na praça é de grande valor histórico para a cidade. “O patrimônio histórico deve ser cuidado pela Prefeitura”, resume a professora da disciplina de Patrimônio Histórico Cultural do curso de História na Unesc, Marli de Oliveira Costa, uma das idealizadoras da ação.
Ela acrescenta que a ação é embasada em fundamentos legais. “A Praça Nereu Ramos, toda ela e não só o miolo, não é patrimônio tombado ainda, mas é inventariado, ou seja, não pode ser mexido”, explica Marli. “E ali há dois patrimônios tombados, que são a Casa da Cultura e a Casa Londres, a lei diz que todo o entorno precisa ser preservado”, afirma.
Explicações à imprensa
A Prefeitura realizou hoje à tarde uma coletiva para transmitir à imprensa e à sociedade a posição oficial. O procurador do Município, Giulliano Frasseto, explicou que a defesa da administração municipal frente à Justiça se baseará nas vantagens do novo revestimento. “Vamos ressaltar o avanço que o paver representa na questão da mobilidade e que a história está sendo preservada”, adiantou, referindo-se à manutenção do petit-pavé em pontos onde não há fluxo intenso de pedestres.
O arquiteto da Prefeitura, Giuliano Elias Colossi, argumentou que o atual pavimento está defasado em relação às necessidades dos dias atuais. “Nos anos 80 não havia preocupação com mobilidade urbana e acessibilidade. Agora a realidade é outra, vivemos em outro mundo”, afirmou. “Sentimos a necessidade de pensar em um tipo de pavimento que se adequasse a todos os tipos de pessoas, onde todo mundo possa caminhar, e o paver foi é o que atende o que queremos”, explicou Colossi.
De acordo com o arquiteto, devido aos prédios residenciais que ainda existem em torno da Nereu Ramos, em alguns locais será colocado revestimento na cor vermelha, indicando um caminho onde os carros poderão passar em direção às garagens.
Comerciantes apoiam Prefeitura
A coletiva contou com a presença de comerciantes que manifestaram apoio à troca. O lojista e ex-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Júlio César Wessler, argumentou que houve tempo para que discussões fossem feitas antes que as obras chegassem ao estágio atual. “É lamentável. Nós estamos discutindo isso desde 2009”, afirmou. “Eu entendo que a história é importante, mas, como se trata de revestimentos dos anos 80, acho que há um exagero. Se é para preservar a história sem pensar no futuro, vamos arrancar o petit-pavé e deixar em chão batido, como antigamente”, ironizou. “Peguem uma cadeira de rodas e vão andar nessa praça para ver como é”.
Quanto ao fato de só agora o requerimento ter chegado à Prefeitura, os defensores do petit-pavé esclarecem que a demora se deu por razões técnicas. “Eles sabiam que a praça era inventariada. Além disso, já faz um mês que nós estamos trabalhando nessa ação. Leva um tempo para reunirmos o pessoal e entramos em contato com o promotor do Ministério Público, que ajuizou a ação, e só agora ela chegou à Prefeitura.
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