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Opinião

segunda | 31/10/2011 06:00:00

Personas

| Anita Mussi klafke | psicóloga clínica CRP: 12/1185- membro fundadora da Ceres - Associação Criciumense de Apoio a Saúde Mental

A maioria das pessoas sofrem asfixiadas no coletivo e carentes de individualidade, porque vivemos num mundo de imagens, de personas, de aparências e, perdemos o corpo psíquico, a substância, a matéria viva, que é a alma, a qual dá vida ao corpo.
Neste mundo de personas, observamos o sofrimento como uma espécie de anorexia psíquica; de vazio, de falta do alimento que satisfaz a alma e dá sentido à vida. Observamos, também, um processo de despersonalização do indivíduo, onde a questão existencial, "quem sou de verdade?", foi substituída pela preocupação em relação a "quem eu devo ser", resultando num esforço para adaptação às expectativas do mundo. De acordo com Jung, em benefício de uma imagem ideal, à qual o indivíduo aspira moldar-se, sacrifica-se muito da sua humanidade.
Este anseio de adaptação ao coletivo tem levado as pessoas a um distanciamento, quando não, a uma ruptura, em relação ao seu mundo interno e individual, gerando um sentimento de vazio, que é vivenciado por meio de sofrimentos físicos e psíquicos.
A maioria das pessoas, atualmente, se encontra muito identificada com a persona coletiva, presa às convenções sociais e com uma capacidade de julgamento limitada à moralidade externa, carente de uma visão individualmente lapidada.
Jung utilizou o termo persona para descrever o papel que a pessoa representa no mundo, a forma como ela se mostra e é vista no coletivo. A persona, portanto, não representa a pessoa na sua totalidade, é apenas uma máscara que ela utiliza para ser identificada na cena coletiva.
Por outro lado, esta identidade coletiva é imprescindível no processo de adaptação normal do indivíduo, ou seja, o compromisso com a coletividade é natural e esperado, desde que o indivíduo não fique reduzido a uma mera aparência de si mesmo.
Para a Psicologia Analítica, a persona é uma função psíquica de adaptação ao mundo externo, uma espécie de máscara da qual o indivíduo se reveste para ser reconhecido no mundo, mas que não reflete a sua identidade original e total.
Por isso, a identificação com a persona pode resultar numa patologia porque rejeita, ou não reconhece, a outra parte da personalidade que também somos, que fica escondida na sombra da psique. Quando o indivíduo está muito identificado com os padrões coletivos, ele não é capaz de viver como ele mesmo, de encontrar sua própria personalidade, gerando um sofrimento que se manifesta em forma de sintomas. O aprisionamento na persona gera uma visão cristalizada da vida, impedindo o indivíduo de se expressar através de elementos que lhe são próprios, uma vez que, passa a viver de acordo com padrões pré-estabelecidos, se comportando rigidamente, segundo os valores coletivos.