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Opinião

terça | 17/01/2012 06:00:00

Operária Nova

| Euro Zanuzzo | Leitor

Costume que me imponho desde sempre na busca de referenciais de origem de denominações, seja na ordem etimológica quanto histórica e outras, é a primeira e intrigante questiúncula do tema que me leva à conclusão evidente que a existência de uma "nova" pressupõe uma anterior, dita, "velha, antiga ou simplesmente operária".
Valendo-me de mapa de Criciúma constante de lista telefônica, não encontrei semelhante designação que me reportasse a da "Operária Nova", tal qual ocorre a exemplo de Cidade Mineira Velha e Nova.
Brindado com os livros históricos 1 e 2 "De Cresciúma a Criciúma - 1880 a 1960", com dedicatória de seu autor, *_Archimedes Naspolini Filho, bela obra do imortal Cadeira 15 da ACL, Academia Criciumense de Letras; cita o mesmo às fls. 41, vol. 2 ...,"na Operária, o Estádio Valdemar de Brito..,"de onde penso reportar-se à antiga Operária, salvo outra., com escusas de não conhecer, pois apesar de estar aqui presente em férias e temporadas no curso de 35 anos, só resido nos últimos três anos.
Ainda me ocorre, residente que sou da Rua Frederico Minatto, outra designação do local, por receber fatura de água da Casan, como Bairro Princesa Izabel, e fatura de energia pela Celesc, como Bairro Operária Nova. Dizem moradores mais antigos haver dupla designação, sendo mais antiga e tradicional, Operária Nova.
Muito que bem, dupla denominação que não impede o recebimento das contas, nem me ilide da obrigação de quitá-las.
Mas, retornando à questão da denominação de Operária, belíssima homenagem à gloriosa classe, lembra-me dos anos de acadêmico de Direito, em Curitiba, início da década de 70, quando em cartaz encontrava-se o filme italiano de Elio Petri, "A Classe Operária vai ao Paraíso", onde aborda o sempre presente conflito da economia capitalista e a humana condição. Assisti à fita no seu primeiro dia de exibição, salvo falha de memória, Cine Glória, Rua 15 de novembro, Centro de Curitiba, no calçadão. No segundo dia, a exibição foi tirada de cena pela famigerada censura da Ditadura Militar-DOPS.
Então, dentro desta perspectiva de classe tão hodierna quanto o fora, desde o advento da era industrial com o tear mecânico e a máquina a vapor de James Watt (1712), o congraçamento eventual, necessário ou forçado da nobre classe trabalhadora, sob a ordem da economia industrial, tornou-se a sementeira das metrópoles deste vasto mundo, tanto quanto o fora na Inglaterra de então, quanto o é na China de agora e aqui, na linda terra Pindorama. A máquina permitiu a expansão da economia, das atividades múltiplas e, por consequência, a expansão do proletariado, aquele que vende a sua força de trabalho. Um século, pouco mais após, 1848, Karl Marx e Friedrich Engels, lançam o Manifesto Comunista, dando azo à tanta confusão nos ideários políticos de nossa vã filosofia humana.
É ao derredor das fábricas, nos seus entornos, ao longo do tempo, que se proliferam as vilas operárias dentro dos vários critérios e processos político-econômicos, que vão do sistema paternalista patronal até os manipulados do "peleguismo sindical", tão a gosto na nossa "era Brasil". Sistemas embutidos, disfarçados e camuflados, sempre alienando e obstruindo os cami-nhos do compelido e dito livre trabalhador e cidadão, neste consentido e mais velho sistema do mundo, a exploração dos próximos, como diria hoje, o Nazareno. Enfim!..,
Salve ! Operária Nova! , obstinada e pulsante estrela, nome, marca autêntica de uma heroica Criciúma mi-neradora, têxtil, cerâmica e de tantas outras atividades derivadas e paralelas e não menos importantes. Daqui, este teu mero residente, de modesta morada, te saúda, berço de guerreiros operários que fazem a história de luta, sobrevivência e trabalho desta terra amada.
*Archimedes Naspolini Filho, tive a honra de ter minha ficha de inscrição no ex-heroico Partido Liberal, abonada pelo mesmo, junto ao saudoso Jarvis Gaidzinski, sendo presidente desta agremiação política por vários anos, em Seara, SC, Oeste do Estado.