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Opinião

terça | 20/12/2011 06:00:00

O que sabemos sobre o Mal de Alzheimer...

| Ana Paula Frasson | Psicóloga CRP-12/10029, Presidente da CERES -Associação Criciumense de Apoio a Saúde Mental. (associacaoceres@gmail.com)

A população mundial está envelhecendo e o Brasil não é diferente dos outros países. Dados do IBGE indicam projeções de que em 2025 o Brasil terá cerca de 34 milhões de pessoas acima de 60 anos, cerca de 10% da população, tornando-se o país com a sexta maior população de idosos em todo o mundo.
E, ao falar em envelhecimento, logo o associamos com algumas doenças que atingem a população idosa, entre elas: as demências, que estão relacionadas a um declínio das funções cognitivas e comportamentais, sendo que sua forma mais comum é o Mal de Alzheimer.
As causas da doença de Alzheimer são desconhecidas e a maneira como ela progride varia de indivíduo para indivíduo; em algumas pessoas, ela evolui lentamente, entretanto, em outros casos, ela pode desenvolver-se mais rápido em um período menor de tempo. Há dificuldade em identificar em qual estágio a doença se encontra. É uma patologia "democrática", não escolhe cor, classe social, profissão ou sexo, embora pesquisas demonstrem uma prevalência no sexo feminino. Não tem cura!
Alguns autores a denominam como a "doença da família", já que, de certa forma, modifica a rotina de toda a família. É necessário que haja um cuidador e, geralmente, a tarefa cabe a um familiar, costuma-se dizer: "quando os filhos tornam-se os pais". E, via de regra, é na família que são percebidos os primeiros sintomas. "O que eu chamava loucura, começou com o esquecimento das chaves e do número do telefone de casa", relatou a filha de um portador de Mal de Alzheimer.
Em geral, as primeiras funções afetadas são da memória recente: esquecer chaves, nomes, hora, datas, não lembrar onde guardou algo, então, o quadro clínico tende a evoluir. Tornando o paciente incapaz de realizar atividades cotidianas, lidar com dinheiro, perda de orientação de lugar e de espaço, enfim, tornando-o dependente de outras pessoas.
Conviver com um familiar com Alzheimer, em geral, é desgastante: em primeiro lugar, porque com o declínio das funções cognitivas, o paciente começa a apresentar dificuldades com a questão da linguagem e da comunicação: é comum perder "o fio da conversa", não encontrar as palavras, ser vago, dizer coisas irrelevantes e frases sem sentido. Além de, alterações comportamentais que podem levar ao isolamento ou mesmo à agressividade. E, em segundo lugar, porque aqueles que considerávamos como "nossos heróis" parecem fora da realidade do ambiente, procurando palavras, frases familiares, como uma pessoa semi-cega, tateando a meia luz.
O que sabemos sobre o Mal de Alzheimer não nos traz segurança quando convivemos com um idoso portador da doença, o que gera um frequente sentimento de ignorância, o que não significa que seja agradável ser ignorante, principalmente, quando alguém que você ama está morrendo de algo que você não entende... E é ai que começamos a refletir sobre o que não sabemos (ainda) sobre o Alzheimer.