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Opinião

quarta | 11/01/2012 06:00:00

O carvão mineral e a economia

| Fernando Luiz Zancan | Presidente da ABCM - Associação Brasileira do Carvão Mineral

Os analistas econômicos de plantão emitem opiniões sobre assuntos diversos que, buscando consolidar informações genéricas, levam a meias verdades que tendem a conduzir o leitor ou ouvinte a julgamentos equivocados e tendenciosos. Comentaristas ligados a área ambiental tendem a conduzir seus leitores para a ecoeconomia. Já os ligados a área politica tendem conduzi-los para os programas econômicos partidários. Existem aqueles que tendem a conduzir os leitores para a defesa de teses, nem sempre claras e objetivas, que servem a interesses nem sempre publicáveis. O contraponto e a liberdade de expressão são fundamentais para que a sociedade possa julgar os conceitos, os assuntos e a informação de forma isenta e crítica.
Isso posto, damos o exemplo da colunista do Wall Street Journal, Rebecca Smith, que escreveu um artigo falando do fim da era do carvão no mundo. Ora, as principais agências de produção de conhecimento de energia no mundo - Energy Information Agency- EIA (USA), International Energy Association- IEA (OCDE/Paris), projetam, em seus relatórios de 2011, o crescimento do carvão como fonte energética em todo o planeta, tornando em 2035 a fonte com maior participação na matriz mundial (30%). O combustível esquecido por alguns está sendo reconhecido como um dos pilares da segurança energética do planeta. Com o desenvolvimento de tecnologias que reduzem suas emissões, o carvão mineral gerará cerca da metade da energia elétrica do mundo em 2035.
No Brasil, também existem exemplos de desconhecimento em comentários econômicos, especialmente na área de energia, particularmente com o carvão mineral. O Brasil, país em crescimento, é afortunado com todas as formas de energia, com uma matriz energética invejada no mundo por ser renovável, 47 %, (os países ricos buscam alcançar 30 % em 2030), mas ainda com um consumo de eletricidade de cerca de 2.400 KWh/habitante, metade do que a ONU considera como consumo de país desenvolvido. Para atender a esse crescimento, precisaremos de todas as formas de energia, pois o nosso potencial hidráulico tende a acabar em 15 anos e uma matriz hidrotérmica tem um ponto ótimo de garantia de segurança energética e de modicidade tarifária. Neste sentido, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tem alertado pela necessidade imediata de inclusão de termelétricas, especialmente no Sul do Brasil.
Além do aspecto de segurança energética, as região carboníferas brasileiras (Região Sul de SC, baixo Jacui e Candiota no RS) são regiões deprimidas economicamente que necessitam de desenvolvimento econômico e social. A movimentação econômica de uma atividade industrial, como a carbonífera, não alavanca só empregos qualificados, mas impacta na geração de impostos que são bem vindos para manter hospitais, retirar pessoas do Bolsa Família, pavimentar rodovias, etc. Além disso, a atividade carbonífera é indutora de outras indústrias (metal- mecânica, cimento, etc) e de investimentos em infraestrutura (ferrovias) que atraem novos investimentos. Essa movimentação econômica definida em uma matriz insumo produto, reconhecida pelos economistas mais experientes, é que conta em uma análise macroeconômica de uma atividade como a carbonífera. O Brasil precisa sim de empregos, de renda e de energia. Subsidia energias renováveis, como a eólica, com uma série de isenções tri-butárias e de financiamento e subsidia a energia nuclear com os mesmos incentivos, mas discrimina o carvão onerando os financiamentos, retirando dos leilões de energia nova e não fornecendo nenhum incentivo fiscal. Esse cenário pretendemos mudar em 2012. Temos a certeza que aqueles que pensam no crescimento econômico do Sul de Santa Catarina e da metade Sul do Rio Grande do Sul, os prefeitos que buscam mais recursos, os industriais que prospectam novos negócios, os comerciantes que veem o aumento de renda da região transformar-se em mais vendas, os prestadores de serviço, os verdadeiros economistas, pactuam com o desenvolvimento da cadeia produtiva do carvão, a exemplo dos cariocas e capixabas que lutam pelo desenvolvimento do pré-sal, energia fóssil que tem transformado a vida e a economia desses estados.