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Opinião

sábado | 06/08/2011 06:00:00

O carvão e sua caminhada no mundo da energia

| Eng. Fernando Luiz Zancan | Presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral (ABCM)

No início deste mês, a Agência Internacional de Energia (IEA) lançou em Paris, sua versão 2011 de informações sobre consumo, mercado e produção de carvão mineral no mundo. Os dados confirmam que no cenário desenhado na última década, o combustível motor da revolução industrial e que permaneceu com um quarto de participação na matriz de energia primária do mundo ao longo do século 20, é o combustível do século 21.
Segundo o IEA, o consumo global de carvão cresceu 10,8% em 2010, alcançando 5,2 bilhões de toneladas de carvão equivalente (tce). O consumo adicional de 510 milhões de tce é maior que o consumo anual da Índia. Observa-se que cerca de 80% do consumo incremental vem de países pobres, mas, mesmo nos ricos, como na Comunidade Europeia, o consumo de carvão cresceu 4,8%. O consumo de carvão vapor cresceu 11% e o metalúrgico (usado para fabricação de aço) cresceu 15,5%, sendo 14,5% nos países ricos. A produção total de carvão no mundo, está estimada em 7,2 bilhões de toneladas, sendo 6% maior que 2009, e 61% maior que 1999, o que reforça a liderança de crescimento no século 21. A produção de carvão hulha foi de 6,2 bilhões de toneladas e de linhito, um bilhão.
O mercado internacional de carvão cresceu 13,4%, sendo a Austrália o maior exportador com 30% do mercado, seguido pela Indonésia e Rússia, representando uma participação no mercado de 17% e 11%, respectivamente. Os maiores importadores, por sua vez, foram Japão, China, Coreia do Sul, Índia, Taiwan, Alemanha e Turquia. A comercialização de carvão metalúrgico aumentou 28,1%, tendo os Estados Unidos e o Canadá como segundo e terceiro lugares.
O mais importante player do carvão é a China. Na segunda economia mundial, a produção de carvão foi inferior ao consumo, o que levou a China a aumentar em 40,7% a importação de carvão, quadruplicando desde 2008, e chegando a 177 milhões de toneladas, principal alvo dos mineradores de carvão dos EUA. Em termos nominais, em 2010, a China consumiu 329 milhões de tce de carvão a mais que 2009, - maior que o consumo do Japão e Alemanha combinados. A China, em 2010, segundo as estatísticas oficiais (há quem diga que os números são maiores), representou 51,5% da produção de carvão no mundo e 17% da importação mundial. Como existem em construção no planeta 216 GW - dois no Brasil - em térmicas a carvão, sendo 17 GW na Europa e 19 GW nos EUA, o atual cenário deverá permanecer, ampliando a demanda por carvão, inclusive após o efeito Fukushima. Por outro lado, verifica-se que mesmo com 165% de aumento das energias renováveis de 1990 a 2008, a sua participação na matriz mundial tem caído, visto ao crescimento dos fósseis.
Enquanto esses números mostram a importância do carvão para o planeta e para o crescimento dos países mais pobres, que tem nele a segurança de suprimento e o baixo custo de energia, aqui no Brasil, importamos mais de 15 milhões de toneladas de carvão metalúrgico e estamos lutando para que o carvão possa participar de um leilão A-5 com 2,4 mil MW de projetos já licenciados ambientalmente. É voz corrente no setor elétrico que precisamos agora de usinas térmicas para equilibrar o sistema interligado nacional e que, após 2030, nosso potencial hidroelétrico estará praticamente, esgotado.
Existe potencial de carvão metalúrgico, existe potencial de carvão vapor e existem tecnologias que podem ser adaptadas ao carvão nacional, para que cada vez mais possa ser utilizado de forma sustentável. Portanto, é tempo do Governo Federal traçar uma estratégia para o aproveitamento deste pré-sal que está no subsolo do Sul do Brasil, praticamente inexplorado em benefício do povo brasileiro que, segundo a sua Constituição, é dono dos recursos naturais.