Opinião
Nos dias de hoje: em cena as novas tecnologias
| Fabricio Spricigo | Pedagogo e Técnico Educacional
Visualiza-se, na atualidade, o modelo estrutural do trabalho transformar-se. Com o advento das novas tecnologias, a indústria está buscando profissionais mais capacitados, ou seja: com formação de qualidade, por vezes, que conheça uma ou até duas línguas estrangeiras. Diversos setores da indústria e de serviços estão criando novos ambientes de trabalho, nos quais o profissional desenvolve atividades polivalentes. Os setores de prestação de serviços, como telefonia, hotelaria, turismo e mesmo educação, estão exigindo cada vez mais que os trabalhadores dominem as novas tecnologias. Como consequência, está sendo abandonado o perfil do trabalhador adaptado à repetição e à fragmentação de tarefas e se está solicitando um trabalhador com maior qualificação, com capacidade de aprender, de tomar iniciativas.
Você pode perceber, então, que há a exigência de um novo tipo de escola, e, portanto, de um novo ensino, com práticas pedagógicas reformuladas. Ao invés de a escola somente preparar os alunos para memorizarem fatos e conceitos, deve possibilitar a aquisição de habilidades para o trabalho em grupo, através de atividades que lhes permitam o pensar e o agir crítica e criativamente, desenvolvendo a iniciativa própria.
Qual será o papel do aluno nesse contexto? Certamente, ele não será mais um mero receptor passivo de conhecimento. Agora, cabe a ele o papel de produtor de conhecimento, capaz de perceber o caráter transitório desse conhecimento, pois ele não é eterno e está em constante transformação. Em outras palavras, que perceba que o que importa não é mais o conhecimento em si, mas como produzi-lo.
Preparar os alunos para um dia enfrentarem o mundo do trabalho é o desafio da escola de hoje. Você pode estar se perguntando: mas esse é o único desafio? Certamente não! Além de estarem preparados para novos ambientes de trabalho, precisamos preparar nossas crianças e jovens para viverem em uma sociedade "banhada" pelas diferentes mídias interativas. O que isso significa para a escola?
Em primeiro lugar, podemos considerar que o aluno tem, na Tecnologia Multimídia, uma fonte rica e interessante de informações atraentes e inovadoras. A partir desse fato, podemos perceber que já não cabe mais o livro didático como o único apoio do professor, como aquela "bengala sem a qual ele não pode andar". Jornais, revistas, televisão, rádio e internet estão, diariamente, colocando à disposição das crianças e jovens um volume cada vez maior de informações e conteúdos.
Aqui, no entanto, é necessário cuidado, afinal, informação não é sinônimo de conhecimento! Obter informações não significa construir conceitos, tampouco construir conhecimento. Para que o aluno produza conhecimento, é necessário que ele (re) signifique essas informações. Que as incorpore e as relacione com os conhecimentos que já possui, e que essas informações modifiquem o que ele já conhece. Somente assim pode-se dizer que houve construção de conhecimento ou aprendizagem.
O que a escola pode fazer nesse sentido? Cabe à escola fazer aquilo que a mídia nunca fará: problematizar toda a informação veiculada pela mídia, o papel de desenvolver a atitude crítica do aluno. A mídia não tem esse compromisso. É importante que os jovens e crianças aprendam a selecionarem as informações apropriadas, que aprendam a verificar e a identificar sua proveniência, quem as criou, divulgou e com qual intenção, ideologia.
REFERÊNCIA
SARTORI, A. S. Tecnologia, educação e aprendizagem. Florianópolis: UDESC, 2002.
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