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Opinião

terça | 17/08/2010 06:00:00

Não esqueça sua cadeira de rodas

| Ana Paula Gramacho | Cidadã

Ao sair do supermercado em direção ao meu carro no estacionamento, um senhor, que acabava de chegar para suas compras, estaciona seu carro na vaga para deficiente físico. Chama-me atenção, é claro, porque ele sai andando!
Em caso de muita fé, pensaria: "vai ver aconteceu o tal milagre, aquele, 'le- vanta-te e anda'". Seria uma possibilidade. Descartada esta possibilidade, apareceram outras: a falta de fiscalização no trânsito, seja na via pública ou privada; falta de campanha para a conscientização da população, sim, são verdades, faltam mesmo. Mas, a principal possibilidade daquele acontecimento era a falta de respeito.
Direito adquirido com muita luta: o espaço reservado ao portador de deficiência, que é devidamente sinalizado. Há até uma Lei Federal do código de trânsito brasileiro! Há multa, pontos na carteira e apreensão do veículo.
Nada disso parece que tem sido suficiente.
Há placas, há identificação para quem não sabe ler, há um desenho da cadeira de rodas, representando que aquela vaga é para o cadeirante, não é um bonequinho descansando na cadeira do papai.
De fato, a espécie humana evolui, mas como nada é perfeito, ficam alguns retardatários, com suas funcionantes pernas e querendo usufruir o que não é seu.
Querer e se achar com o poder de usar o que não é de seu direito, é, no mínimo, uma grande falta de respeito. Respeito nada tem a ver com grau de instrução, aliás, tem mais a ver com a relação que cada um estabelece com a regra, com o limite, com a Lei.
O senhor, aquele que encontrei no mercado, ficou zangado porque eu disse a ele: "acho que o senhor esqueceu algo!" ele perguntou: "o quê?" "Sua cadeira de rodas, deve ter esquecido no porta- malas".