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Opinião

quarta | 19/10/2011 06:00:00

Família, futebol e amor

| Ana Paula Gramacho Varela | cidadã - anapaulagramacho@hotmail.com

Discussões calorosas entre mineiros e patrões, greves, chão preto, casas pretas, ar preto, clareando este cenário, surgia o verde e branco, o Metropol.
Quem gosta de futebol certamente sabe quem foi o famoso time Metropol!
História. História é feita de lembranças. Lembranças, sejam boas ou ruins, deixam suas marcas. As lembranças do Metropol retornam no discurso dos apaixonados e também no livro 'Histórias que a bola esqueceu' de José da Silva Jr. Neste livro, chama a atenção o futebol entrando nas casas, na vida das pessoas, nas greves dos mineiros, nos cafés da cidade. O padre terminava a missa dizendo 'Hoje à tarde tem jogo, vamos em paz e que Deus nos acompanhe'!! Lendo hoje, Criciúma parecia respirar duas coisas: pirita e futebol.
Investimento de empresário em times, algo necessário, que também parece ter acontecido com o Metropol, mas seu sucesso não foi apenas por isso. Certamente havia algo mais, algo capaz de apaziguar as diferenças e ao mesmo tempo ficar cara a cara com elas na diversidade do campo. Algo que levava famílias, a pé, quilômetros, ao campo em uma tarde de domingo. Pergunto-me, que paixão era esta? Paixão que movia Criciúma. Paixão pelo futebol.
Algo mudou na história do futebol da cidade. Escuto hoje nas rádios o pedido, quase implorado, para que a torcida vá ao campo ou não abandone seu time. O torcedor recebe recompensas, promoções para ir ao campo... Esquisito falar em promoção no campo da paixão! Não sei exatamente o que aconteceu, mas está diferente. Treinador que entra, treinador que sai, não há mais tolerância para a derrota, querem sempre achar um culpado e fazem investidas sem pensar, sem insistir em resgatar a garra do time. Garra tem a ver com paixão, o Metropol deve saber sobre isso. Os torcedores que só reclamam e deixam de ir ao campo encarnam o lugar da vítima, não ajudam em nada. Os que insistem, mesmo reclamando, são os verdadeiros torcedores.
Adoro futebol, mesmo sem entender algumas jogadas, porque ele me traz lembranças, saudades. Saudade de escutar os comentários no rádio do bom e velho treinador do Metropol, Derval Gramacho Filho, aquele que insistia bravamente na sua decisão, não só porque acreditava nela, mas também porque acreditava no time, mesmo que este cometesse falhas, sabia to-lerar os erros, não ia atrás de soluções mágicas para excluí-las e sim trabalhava com elas, sabia se posicionar mesmo perante a opinião contrária do presidente do time, atitude que ajudou o Metropol a vencer o Grêmio em 1964 (vencer o Grêmio, que beleza)! Saudades do Zico, André Gramacho, que, aos 11 anos de idade, foi convidado para jogar na escolinha de futebol do Flamengo, era realmente bom de bola, ganhando ou perdendo, nunca abandonou sua paixão pelo futebol. Aprendi a gostar de futebol e a respeitar o futebol porque, junto com ele, aprendi a me divertir. Hoje me pergunto: O futebol deixou de ser uma diversão? Será que as pessoas não sabem mais se divertir? A into-lerância em perder o 'brinquedinho' atinge aos marmanjos também, para alguns se torna algo impensá-vel, melhor trocar de time, trocar o treinador, desistir do futebol e comprar um brinquedinho novo...
Parafraseando Nando Reis, "acho lindo ver meu time entrando em campo" (Tigre), mesmo perdendo!