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Opinião

quarta | 04/01/2012 06:00:00

Faixas de pedestre, um convite para a morte

Alexandre V. da Rosa - Especialista em História (Unesc) e Cledemilson dos Santos - Mestrando em Educação (Unesc)

Aos quatros ventos estão os índices de acidentes de trânsito. Índices expressivos e discutidos com tanto alarde pelos meios de comunicação que, mesmo apresentando-se incutidos nas conversas do dia a dia, percebe-se que a devida atenção não está sendo despertada. Mas por quê?
Seria isto o resultado da concreta conscientização do povo quanto à educação no trânsito ou seria o reflexo do menosprezo dos danos materiais, morais, estéticos e mortes que já não preocupam mais e tampouco trazem dor?
Certamente percebe-se que não se trata da primeira opção, porquanto educação, mesmo que atingida a conscientização plena, jamais deve-se descartá-la. Contudo, o porquê de tantos acidentes e quais seus pressupostos? Teria suas origens em decorrência da manutenção automotiva carente, da condição precária das vias, da sinalização, da educação e ou sua falta no trânsito?
Primeiramente, quanto à manutenção, a frota veicular está sendo renovada com tantas revendedoras aqui oferecendo os financiamentos mais variados. Logo, se os acidentes ocorrem por falha ou fadiga veicular, este motivo evitar-se-ia com boa manutenção. Já quanto às pavimentações e dependendo do tipo, bem como de suas condições, sabe-se que não poderíamos transitar nelas como se fôssemos isentos de sinistros e comportássemos consoante imortais.
Desta forma, atenção redobrada ao condutor!
Ademais, o veículo é conduzido por pessoa que deve enxergar o ambiente em que está transitando e nele tem a obrigação de comportar-se prudentemente. Assim, a sinalização contribuindo e muito para a educação e respeito ao trânsito quase "não apresenta mudanças no trânsito em Criciúma/SC, pois dificilmente ocorrem". Ironias de lado, mesmo com tantas mudanças ocorrendo, será que a sinalização apresenta-se como corretas à educação e à segurança no trânsito?
Estatisticamente, a maioria dos acidentes nesta cidade ocorre pela extensão da Avenida Centenário, totalizando quase 80%, segundo dados da polícia militar, isto no ano de 2011. Portanto, concentraremos a reflexão nela. Ao longo de sua extensão estão distribuídos os pontos de ônibus e suas faixas de pedestres. Visivelmente, os pontos de paradas de ônibus foram projetados para os passageiros descerem e cruzarem a via pela faixa de pedestres. Ótimo, caso não ofertasse risco de morte!
Essas faixas de pedestres estão pintadas à frente da parada do ônibus. Logo, o ponto de parada conduz o passageiro à faixa de pedestre que cruzando-a poderá encontrar uma surpresa (atropelamento), pois ao cruzá-la o pedestre não enxerga os veículos que trafegam ao lado do ônibus e o mesmo ocorre com os condutores desses veículos. Com isso, temos o chamado "ponto cego", que muito bem poderia ser evitado com a faixa de pedestre pintada atrás do ponto de ônibus e com sua a estrutura conduzindo a ela. Ou seja, o inverso do presente.
Não obstante, aos incrédulos que não comungam com a reflexão ora ofertada, mesmo com inúmeros acidentes ocorridos em razão disso, imagina-se o ponto de parada existente em frente à rodoviária e as pessoas cruzando a faixa de pedestre justamente enquanto algum veículo esteja transpondo-a.
Portanto, a preocupação: a situação no trânsito local estando precária (caótica), faltando mobilidade urbana. Todavia, percebe-se, nesses locais supracitados, uma sinalização inadequada onde os pedestres estão sendo as maiores vítimas desta incansável discussão. Outrossim, sem adentrar no mérito de outras mazelas, o leitor pôde perceber a urgência em repensar a sinalização de trânsito em Criciúma, pois, afinal, "é só com o esforço de todos, somado aos dos órgãos públicos que conseguiremos tornar o nosso trânsito mais humano e seguro". Caso contrário, as palavras ditas por Einstein de que "o mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer", ecoariam muito com o grito das vítimas.