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Opinião

terça | 27/09/2011 06:00:00

Escatologia

| Maria Emília Martins da Silva | professora do curso de Gestão de Turismo do Instituto Federal Catarinense – Campus Sombrio

O país vive seu momento mais promissor na história do turismo. O avanço da economia brasileira impulsionou o mercado de viagens corporativas, de lazer, gastronômicas e de aventura, aliado a dinâmica socioeconômica da classe média, que passou a viajar mais nos últimos anos. Segundo a Infraero e o Ministério do Turismo (2011), os desembarques domésticos cresceram 20,39% nos cinco primeiros meses do ano, em comparação com o mesmo período de 2010. De janeiro a maio, a movimentação foi de 31,58 milhões de passageiros, superando os 26,23 milhões registrados no ano passado. E ainda as despesas de turistas estrangeiros registradas em abril de 2011 aumentaram 17,3%, em relação ao mesmo período do ano passado, e chegaram a US$ 540 milhões.
Hoje, as viagens de lazer já estão na base da pirâmide de necessidades do consumidor brasileiro em função da maior estabilidade na sua renda e, nesta concepção, o turismo de negócios se tornou um fator fundamental para as negociações e fusões bilionárias entre empresas multinacionais, fazendo de destinos como São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro o ponto alto dos eventos corporativos.
Isso sem falar nos dois grandes eventos esportivos esperados para o Brasil, a Copa do Mundo de Futebol FIFA e os Jogos Olímpicos. Os anos de 2014 e 2016 serão a vitrine do mundo. O Brasil certamente é a bola da vez... e esta é a grande oportunidade para deslanchar como destino internacional, com qualidade, hospitalidade e, sobretudo, infraestrutura para receber milhões de visitantes. Mas... será que o país está mesmo preparado? Estradas, aeroportos, estrutura viária, meios de hospedagem, informações estão a contento para um padrão de qualidade internacional? Sabemos que a imagem percebida e vivenciada pelos visitantes nessas ocasiões torna-se um marketing gratuito para o resto do mundo, podendo repercutir positiva e negativamente o destino Brasil. A vinda desses eventos para o país certamente será um divisor de águas.
Segundo Juan Pablo de Vera, presidente da Reed Exhibitions Alcantara Machado, maior empresa de eventos da América Latina, "as oportunidades para o calendário de eventos no Brasil, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, são únicas e provavelmente não vão aparecer nos próximos 50 anos. Fomos competentes para ganhar essa concorrência e o mundo inteiro está depositando confiança aqui. Espero que nossas autoridades tenham essa visão".
Portanto, a hora é agora! Qual o planejamento para um futuro tão próximo? O que esperamos do turismo nos próximos anos? Queremos tê-lo como pauta na balança de pagamentos? Queremos tê-lo como fator de desenvolvimento social? Ora, então teremos também que preparar essa "mesa" para nossos visitantes, para que essa repercussão tão esperada seja positiva e continuada, a ponto de fazermos do turismo brasileiro uma referência mundial.

REFERÊNCIAS
MINISTÉRIO DO TURISMO. Dados e fatos. Disponível em: <http://www.turismo.gov.br>. Acesso em 13 set.2011.
VERA, Juan Pablo de. O senhor das feiras. Viagens S/A. nº 5, mai.2011. Disponível em < http://www.viagenssa.com/Noticias/Leitura.aspx?idNoticia=4> . Acesso em 13 set.2011.