Opinião
Educação política
| Maria Isabel Alamini | Criciúma
"Quem se senta no fundo de um poço para contemplar o céu, há de achá-lo pequeno." (Han Yu)
Estamos no auge de uma campanha eleitoral, para eleger presidente da República, senadores, deputados federais e estaduais. Praticamente todos os cargos políticos responsáveis por governar uma nação presidencialista. Em função disso, estamos convivendo com as propagandas eleitorais, veiculadas na mídia nacional, nos horários mais nobres e caros. O objetivo, certamente, é fazer com que o eleitor analise propostas, conheça os candidatos e, democraticamente, escolha aqueles que apresentarem uma filosofia política que se enquadre na sua própria filosofia política. O voto é a materialização da fé, da crença e da esperança de que “aquele” candidato, o escolhido, faça realmente a diferença.
Mas, é daqui que parte o questionamento que fez nascer este artigo. Quem neste país tem, realmente, uma filosofia política? Qual partido político tem uma ideologia a ser seguida e respeitada (coligações das mais estranhas, mostram que nenhum)? Quem segue seus ideais e luta por eles de maneira justa, digna e honesta, se nunca, "na história de deste país", as diretrizes da educação foram voltadas para incentivar o conhecimento e o acesso à ciência política? Nunca houve nenhum interesse para que se aprendesse a diferença entre um verdadeiro estadista e um politiqueiro, entre alguém que faz a história e uma fraude convincente. A escola não se preocupou em formar cidadãos críticos (não baderneiros), que soubessem ler as verdades nas entrelinhas do discurso ou pudessem detectar as mentiras, ditas no calor da eloquência. Ao contrário, sempre foi incentivado o modelo de pensamento colonialista, no qual as ideias e os ideais são afogados por um poder protecionista e manipulador, que engessa, paralisa e emburrece.
Por isso é preciso pensar na educação. Só ela é o caminho (longo, difícil, quase utópico) que pode salvar, enobrecer e prosperar um país que quer, realmente, ser de primeiro mundo. Uma educação que faça com que o cidadão cresça como ser humano, que gere desenvolvimento pessoal através do conhecimento, que politize, para que haja engajamento e renovação.
Educação. Não apenas alfabetização, como pensam os velhos coronéis, achando que estão fazendo muito.






