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Opinião

quarta | 24/08/2011 06:00:00

Desafiamos a Lei de Murphy

| Carlos Matias | - Professor

Sempre tive vontade de rasgar um bilhete de loteria logo após ter feito o jogo. Sair da lotérica e me livrar do bilhete. É a certeza de que sou pé-frio, não ganho nada, não chego nem perto dos verdadeiros "sortudos". Falei isto em uma aula de filosofia sobre mito para meus alunos da graduação. Pensei que não daria em nada, acontece que são muito corajosos e também acreditam que jamais ganharíamos, logo poderíamos jogar e rasgar o bilhete. Isto mesmo! Um jogo coletivo e rasgamos o bilhete.
Desafiamos a Lei de Murphy. Diz a lei que: "Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível". E agora? Será que nosso bilhete será o sorteado? É obvio que não! Naquela aula falamos sobre mito, sobre comportamento perante os mitos. "Se a coisa tem nome, é porque existe". Já ouvi essa frase muitas vezes em vários momentos da minha vida: quando era criança, quando tinha muito medo, quando não acreditava em algo, quando não era "estudado". Não lembro que reação causava-me, se parava para pensar, ou se simplesmente ignorava. É mais ou menos assim que meus críticos alunos participam da aula, tornando assim os debates sempre mais agradáveis. Professor é meu ofício. Que ofício desafiador e traiçoeiro, empolgante e deprimente, estúpido e genial. Quanta vibração em uma sala de aula, quantos "monstros" em uma sala de aula, quanta mentira em uma sala de aula, quantas verdades em uma sala de aula. Estudo, leio e releio, debato, ouço, critico, não aceito, aceito, sofro, não sofro sozinho. Creio que meus alunos percebem meu fascínio pelo conhecimento, como também percebo o deles. Conhecimento que jamais alcançaremos em sua plenitude. Seria o conhecimento também um mito? Um medo? Um monstro? Continuarei procurando, não vejo e não tenho motivo para parar. É meu trabalho, meu ganha-pão, minha profissão. Ou é o sentido de minha existência? Fico com a última ideia, que é a provocação do filósofo Sócrates: "Uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida", "Existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância". Tentando saber se a coisa que tem nome realmente existe, vou lendo, estudando, desafiando e observando, quem sabe não tenho sorte e descubro?
Sorte? Parece mito, mentira, monstros? Não racional? Pois é, também não sei por que disse isso. Ou melhor, sei sim. Lendo, fiquei sabendo que com um pouco de sorte, ou com muita sorte, poderemos viver 650 mil horas. Pois o fato de estarmos aqui agora, neste exato momento, eu escrevendo e você lendo, é muita sorte! Muita sorte! Ou é Lei de Murphy?! Belos debates alunos (da computação)!