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Opinião

quinta | 13/10/2011 06:00:00

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| Rosemiro A. Sefstrom | Professor e filósofo clínico - sulcatarinense@engeplus.com.br

Quando uma pessoa vai ao consultório de um filósofo, o trabalho terapêutico começa pela historicidade. Dela ele retirará as informações de que necessita para conduzir a pessoa em sua caminhada. Um dos tópicos que o terapeuta observa ao longo da história da pessoa são suas interseções de EPs. A interseção de estrutura de pensamentento é a ligação que acontece entre uma pessoa e outra, a conexão que se desenvolve na relação entre o eu e o outro. Ao observar as interseções, fica-se atento às pessoas que fazem parte destas, o conteúdo de cada uma e a qualidade delas.
Pela vida, cada pessoa entra em contato com muitas outras pessoas e, com cada uma delas, o contato pode ser diferente. Algumas pessoas estabelecem interseções de acordo com seu papel existencial. Para elas, o conteúdo a ser compartilhado dependerá do papel que exercem naquele momento e não da pessoa com que estão. É o caso de pessoas que tratam a esposa como cliente quando estão trabalhando em sua loja, também pode ser o caso da mulher que trata o filho como aluno quando é professora. Ainda como exemplo, existem pessoas que estabelecem interseção por conta de suas buscas, ou seja, estas pessoas entrarão em contato com outras pessoas se estas estiverem no caminho daquilo que elas querem. Cada pessoa terá um modo diferente de entrar em interseção com o outro.
A qualidade da interseção é importante para que a convivência possa funcionar. Ela pode ser positiva, negativa, confusa ou indefinida. A interseção positiva é a mais recomendada, visto que causa um bem-estar nas pessoas envolvidas neste espaço compartilhado. Mas nem sempre é assim, algumas pessoas funcionam muito melhor em espaços de interseção negativa, como aquele aluno que estuda muito porque odeia a professora e quer se ver livre dela logo. O interessante é que, se a interseção fosse positiva entre este aluno e a professora, talvez ele não estudasse o necessário para passar. Quando a interseção for confusa, as pessoas envolvidas não saberão se ela está positiva, negativa ou um meio termo, pois ela varia e não tem estabilidade. Já a interseção indefinida é aquela na qual não se consegue dizer o que é, ela não é positiva e nem negativa, é algo diferente.
Todo o conteúdo anterior é introdução para que seja possível entender por que algumas vezes os relacionamentos não dão certo ou não "funcionam". É interessante perceber que algumas interseções são buscadas ao longo de toda uma vida e, quando se chega a ela, não se sabe o que fazer. Um homem procura uma mulher para se casar, o casamento é uma interseção oficializada diante da religião e da lei. Quando os noivos ainda são namorados, estão qualificando a interseção, ou seja, estão conhecendo um ao outro. Neste processo, tanto ele quanto ela esforçam-se para mostrar ao outro o que têm de melhor, salvo as exceções. Mas cada um coloca, no espaço compartilhado da interseção, o que tem a oferecer e o outro pega se achar que o oferecido cumpre o seu papel. O homem pode colocar no espaço de interseção dinheiro, estabilidade financeira, vigor sexual, enquanto a mulher pode colocar amor, carinho, atenção, cuidado. Essa interseção tem futuro? Cada um coloca coisas tão diferentes, será que dura um casamento em que o homem não tem amor pela mulher?
Numa interseção, o outro recebe de você o que você colocar como conteúdo compartilhado, se ele quiser, deste modo, é possível que o outro rejeite o que é oferecido. Nem por isso quer dizer que o que você oferece nas suas interseções seja ruim, só não é bom para aquela pessoa, muitas vezes, naquele momento da vida. O casal acima pode se casar e ser perfeitamente feliz, visto que ele precisa de amor, e muito, enquanto ela precisa amar. Já ela precisa de estabilidade financeira, ter alguém que pague as contas e mantenha as coisas funcionando, enquanto ele precisa ser o homem da casa.
Não existe um modelo de interseção, mas cada um pode observar se as interseções que construiu ao longo da vida estão bem. Se a esposa continua recebendo o que o marido se propôs a dar ao longo do namoro e do noivado. Também ela deve pensar se ainda oferece ao marido no espaço de interseção o que dizia a propagando do namoro. Algumas coisas precisam ser cultivadas para durar!