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Opinião

sábado | 17/09/2011 06:00:00

Cem anos de evangelização - Mina União

| Giovani Felipe | Estudante Universitario História/Unesc

Estamos trilhando os caminhos de setembro. A vida continua e percebe-se o entusiasmo de uma comunidade centenária de nossa cidade. Mina União, com seus mais de 100 anos de colonização, está, no corrente ano, comemorando o seu centenário de evangelização cristã. O maior sentido dessa festa é poder: registrar, lembrar e homenagear aqueles que sempre tiveram como objetivo o melhor para a cidade de Criciúma. Dedicarão com trabalho, mas principalmente guiados e amparados por uma força mística denominada simplesmente de fé. Independente do credo ou religião é de suma relevância homenagear os que contribuíram para o bom andamento da ordem social. Em uma sociedade capitalista e muitas vezes egoísta, poder contar com pessoas que através da evangelização, motivadas por sua fé, conseguem fazer o bem e ainda contribuem para a construção de uma comunidade mais justa, fraterna e solidária, tem que se lembrar de homenagear sempre. Não é sempre que se faz 100 anos e não é sempre que se vê fazer o bem.
Mina União, em seu centenário de evangelização cristã, está homenageando os imigrantes italianos responsáveis por essa caminhada. Como acadêmico de História, estou tendo a oportunidade de, em meu primeiro trabalho de pesquisa acadêmica, poder pesquisar um pouco desses 100 anos de caminhada. Nas minhas entrevistas e obrigações como futuro historiador, está sendo gratificante poder analisar as fontes desde os períodos de Morro da Miséria, nos tempos de Morro da Cruz até os tempos de Mineração, que batizou a localidade de Mina União.
Os imigrantes se dedicaram principalmente ao desenvolvimento da agricultura e à mineração do carvão, sendo eles imprescindíveis na formação dessa região. Atrelada à vida profissional estava a crença na fé católica, que os fazia se reunirem em comunidade, preservar sua cultura e assim poder viver em coletividade, ajudando a si e aos outros.
A comunidade a cada mês está homenageando os diversos setores de pastorais que contribuíram com a comunidade e principalmente com as famílias, que é o maior objetivo da vida cristã. As famílias italianas que contribuíram e ainda estão presentes na comunidade não só foram importantes para a vida religiosa, mas também para a economia. A Mina União contribuiu sim e muito para a economia de Criciúma. Hoje algumas empresas, sejam elas em setores supermercadistas, alimentícios, comércio e mineração, tiveram suas origens no bairro e mesmo os seus diretores engajados com suas atividades empresariais, ainda participam da vida na comunidade. Isso nos demonstra que humildade, igualdade e fraternidade não é utopia.
Nos pontos mais altos da cidade, podemos destacar o Morro da TV, e porque não o Morro da Cruz, onde está presente a cruz que, em 1945, o Padre Agenor Neves Marques, então pároco de Criciúma, juntamente com a comunidade local, resolveu construir bem no alto do morro, para que a cidade inteira pudesse vê-la. Uma cruz, uma lembrança de amor, um símbolo de fé e de esperança. Todos os anos, no mês de maio, a comunidade caminha até o morro, para, em ação de graças, agradecer a Deus pela vida, pelos trabalhadores e pelas famílias. Não pode haver nenhuma vulnerabilidade sem risco; não pode haver nenhuma comunidade sem vulnerabilidade; não pode haver nenhuma paz, e, no final das contas, nenhuma vida, sem comunidade e, em nome disso, Mina União comemora com e em paz o seu centenário.
Depois de homenagear o morro da cruz e a padroeira com uma canção, compus a música do centenário. "Cem anos de evangelização, cem anos de dedicação, cem anos de trabalho de amor de fé e de missão." É um refrão simples, mas que deseja homenagear as famílias que participaram dessa comunidade: Dário, Brunelli, Milanese, Benincá, Milanez, Damiani, Mastella, Meller, Simon, Maccarini, Piazza, Manentti, Silva, Marcon, Taufembach, Gazolla, Lidório, Serafin, Roch, entre outras. Cem anos são cem anos e devem ser respeitados e citados sempre.
Porque não citar pessoas que sempre fizeram o bem? Cito apenas quatro que são exemplos de fé, de trabalho e de dedicação: Carmela Milanese, Seu Manecão, Seu Vitório Benincá e a que todos se orgulham em chamar de Vó Fiora. A única viva e a que tive a oportunidade de entrevistar foi dona Carmela Milanese. Eu vou ter um imenso orgulho de ser historiador e poder escrever sobre pessoas como a dona Carmela . Nada existirá neste planeta se não tiver História.
Para que uma comunidade seja íntegra e saudável, deve estar baseada no amor das pessoas e no interesse pelo próximo. Nesse sentido, fazer aniversário é olhar para trás com gratidão e para frente com fé! Parabéns à história de evangelização da Mina União!!