Opinião
Bombeiros: como vivíamos antes da chegada da turma do caminhão vermelho
| Alexandre v. Da Rosa | especialista em história (Unesc)
| Cledemilson dos Santos | mestrando em educação (Unesc)
Tecer comentários sobre uma das instituições mais respeitadas e confiáveis do mundo é algo realmente desafiador, visto que, historicamente, eles sempre contribuíram com o bem-estar de inúmeras sociedades; "salvando vidas e protegendo tanto o meio ambiente quanto o patrimônio público/privado". Logo, para esses povos, a figura do bombeiro foi, é e sempre será uma representação do herói nacional, aquele que está continuamente disposto a entregar sua vida em detrimento de outras . De certa forma, este imaginário positivo em torno deles nos faz retroceder ao passado, afinal , quem entre nós nunca desejou ser um integrante da turma do caminhão vermelho?As fontes escritas com referência à história desses combatentes costumam ser escassas, entretanto, elas são unânimes em afirmar que os bombeiros há tempos possuem um inimigo declarado, ou seja, o fogo, a ameaça constante. Parafraseando Lívia Lombardo, " quando os homens eram nômades, eles simplesmente fugiam das chamas. Mas, a partir do momento em que se fixou , surgiu a necessidade de combatê-lo". Foi o imperador romano CESAR AUGUSTO (22 a.c) o pioneiro a idealizar estratégias no tocante à prevenção e combate a incêndios. Após o fogo consumir boa parte da capital do império, AUGUSTO ordenou que todas "as casas de madeira fossem construídas mais separadas umas das outras" . Também é atribuída ao imperador a criação dos VIGILES , homens que tinham a árdua missão de patrulhar as ruas do império, sobretudo ROMA, para impedir o surgimento e a propagação das chamas. Este grupamento resistiu bravamente até a queda do império (476 d.c ), sendo " O PRIMEIRO CORPO ORGANIZADO QUE SE CONHECE NA HISTÓRIA , DEDICADO EXCLUSIVAMENTE À FUNÇÃO DE BOMBEIRO". Como podemos perceber, os métodos de combate a incêndios na antiguidade eram extremamente rudimentares, sendo que tal realidade perdurou ainda por boa parte da Idade Média. Para se ter uma ideia, enxadões, pás, machados, baldes e abafadores feitos de galhos de árvores tornaram-se ferramentas indispensáveis para o uso nessas ocorrências. Somente com o advento da Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra em meados do século XVIII, que os bombeiros ganharam notoriedade. Em 1853, na cidade Americana de CINCINNATI, foi criada "uma organização profissional de bombeiros com bombas a vapor em veículos tracionados a cavalos". No Brasil, comenta Lombardo, "em 1797, o ARSENAL DA MARINHA, que já tinha experiência no combate ao fogo em suas embarcações, passou a ser o órgão público responsável pela extinção de incêndios" . Por outro lado, em Santa Catarina (1835), a então FORÇA PÚBLICA (hoje POLÍCIA MILITAR) , em seu primeiro regulamento determinava que todo miliciano além de "prender criminosos em flagrante e dispersar os ajuntamentos de escravos, também deveriam acudir aos incêndios, dando parte deles ao comandante". A institucionalização da primeira corporação brasileira ocorreu no dia 2 de julho de 1856, no Rio de Janeiro, graças a D.PEDRO II. Enfim, embora tenham sido inicialmente constituídos com a missão de combater os incêndios, a função dos bombeiros, ao longo dos tempos, estendeu-se para quase " todas as áreas da proteção civil ", FELIZMENTE .
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