Opinião
Acorrentados na caverna de Platão
| Carlos Matias | professor
Indagações sempre fizeram parte da história da humanidade. De onde viemos? Para que viemos? Para onde vamos? Por que viver? Por que sofrer? E por aí vai a interminável lista de "medos", angustias e desafios ou como quiserem chamar estas sensações que assombram a mente humana.
Filosoficamente, tentou-se dar as resposta para tais inquietações. Acontece que quanto mais estudamos, quanto mais "sabemos", menos ficamos propensos a aceitar as supostas respostas. Conversando, ouvindo, observando o mundo ao meu redor..., refiro-me às falas, às atitudes, às reações, às respostas que damos ou deram a este grande e desafiador exercício de existir, fico cada vez mais convencido que poucas pessoas conseguem realmente, compreender o mínimo que seja da essência da existência humana. Platão tentando, há muito tempo, nos dizer sobre esta cegueira existencial, disse que "numa caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas para frente, não podendo girar a cabeça nem para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semiobscuridade, enxergar o que se passa no interior. Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela, os prisioneiros enxergam na parede do fundo da caverna, as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam. Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que enxergam porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda a luminosidade possível é a que reina na caverna. No caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade".
Sabe leitor(a)! Cheguei a pensar que as pessoas envolvidas com Educação conseguem sair da caverna e contemplar a vida real, o mundo real e não as sombras. Cheguei a pensar que estas pessoas sabem votar, sabem discernir o certo do errado, sabem realmente curtir a existência em sua plenitude, conseguem se livrar de preconceitos, não mentem para si mesmos, não blefam... Sou um eterno aluno da vida, da existência. No momento também faço um papel social de professor, mas não tenho tanto medo, quanto percebo entre as pessoas de minha classe profissional. Tenho a impressão que a caverna que alguns estão, é enorme e as correntes bem mais fortes que as minhas.






