Opinião
“Acho que”
| Giovani Felipe | estudante universitario História/Unesc
Um personagem de nossa cultura, certa vez, falou: quem não se comunica se trumbica. A comunicação está em um patamar jamais visto por ninguém. Os meios de comunicações, interatividades e conversas são amplos e diversos nos dias atuais. Todavia, a nossa realidade de ensino e de educadores está cada vez mais necessitando de cursos extras, para poder compreender a comunicação e o jeito de falar de jovens e adolescentes. Afinal de contas, a comunicação entre pessoas desde que compreendida independe da forma de escrita e de fala? Até que ponto o Português correto deve ser mantido? Até que ponto a educação pode contribuir para uma tranquila comunicação entre pessoas?
Algum tempo atrás escrevia meu primeiro artigo falando da importância de uma boa comunicação. Citava a importância de nossa língua e a sua preservação na íntegra. Naquela oportunidade criticava a postura de várias personalidades quanto à repetição de termos como o “né”. Hoje volto ao tema por acreditar que uma boa conversa não faz mal a ninguém. São aceitáveis, as argumentações de que o importante é a compreensão de linguagem, porém o uso de termos como “né” e “acho que” é muito chato de estar ouvindo repetidamente, por diversos tipos de pessoas, e ainda mais de artistas, esportistas e intelectuais.
Em uma discussão em sala de aula, entramos nesta seara e houve um bom número de acadêmicos que retificaram a posição de que o que importa é a compreensão das respostas por parte dos alunos, mesmo que seja respondida com figuras de linguagem e termos da Internet como: “vc, kbça, blz etc. Qual a sua posição?
Acompanhe a entrevista de jogadores, artistas, intelectuais. Perceberá que várias e repetitivas vezes usam o termo “acho que”, nem eles têm certeza do que estão falando ao dizer “acho que”.
Ouvir de políticos estes termos é aceitável por ser difícil acreditar no que falam; exemplo: “acho que” iremos terminar a obra da BR-101 em tempo. Acho que estamos trabalhando dentro e conforme a lei". É tanto do tal termo acho que, que eu fico em dúvida de onde estamos e o que estamos escutando. Um jogador falando: “acho que o jogo foi justo”. É evidente que tal colocação é natural, mas escutar várias vezes, fica difícil aceitar. Um apresentador famoso da televisão em uma entrevista usou cinco vezes "acho que", em uma curta entrevista. Sei também que existe uma parcela de leitores que podem fazer comentários, alegando que seja um assunto que não tem porque nos preocuparmos, ou citarmos ou ainda estarmos discutindo, afinal de contas, cada um fala do jeito que quer, e houve quem quer ouvir. Realmente é verdade. Cada um é cada um, e que há muito mais assuntos importantes para nos preocuparmos do que estar reparando como este ou aquele fala. O mestre disse: Por natureza, os homens são próximos; a educação é que os afasta e pensando assim, estaremos nos afastando de nossa realidade, por achar que isto não nos importa ou não nos pertence. É em virtude disto que a política está do jeito que está, por também pensarmos que não nos importa. A educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida, falar corretamente, e preservar nossa bela língua portuguesa também são importantes. A Educação não é meio pelo qual o indivíduo aprende e sim o fim para o qual se busca aprender. Enquanto o aprendizado é um processo, a educação se consolida em cada etapa deste processo. Tudo pela educação e por uma boa conversa e eu não acho tenho certeza, que a educação é o alimento da inteligência humana. Da mesma maneira que necessitamos do alimento para nos mantermos de pé, necessitamos também da educação para mantermos viva a nossa inteligência e o bom e velho Português.






