Opinião
Abandono do fumo: por onde começar?
| Ana Paula Naspolini e Ariane Rubin Cocco | acadêmicas de Medicina da UFSM e integrantes do projeto de prevenção ao uso de drogas psicoativas - Prevendroga
O Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado em 29 de agosto, convida-nos a uma discussão: por que é tão difícil abandonar o vício do cigarro? Pense naquela situação em que você tentou fazer algo e não conseguiu. A sensação foi de desânimo, irritação, frustração ou, ainda, conformismo frente ao resultado final. Parar de fumar é uma das situações mais frustrantes e que mais exige determinação. A nicotina causa dependência e isso diminui a força de vontade de todos os fumantes interes- sados em cessar o tabagismo. A dificuldade de parar de fumar está na forma com que se encara o vício. A maioria relata gostar do cigarro e acaba vendo nele um companheiro indispensável. Fumar torna-se um ritual prazeroso, sentir o cheiro da fumaça, segurar o cigarro entre os dedos, saborear cada tragada. De que adianta o tabagista ser bombardeado, a todo o momento, por informações e dados estatísticos evidenciando o número de mortes causadas pelo vício, seus prejuízos à saúde, manifestar aquela tosse inconveniente, além do odor característico comum a todos os fumantes, se ele não se deixa envolver? Parece ser refratário a qualquer forma de persuasão. Tudo vive em função do fumo, qualquer cafezinho, happy hour, intervalo do trabalho, período de ansiedade ou de alegria é convite para fumar! É comum, para qualquer um de nós, lembrarmos apenas das situações boas por que passamos quando nos separamos de alguém. Os problemas e momentos ruins são deixados em um segundo plano. É o que acontece em períodos de abstinência, a lembrança de fumar volta sempre à mente da pessoa, a falta de nicotina no corpo clama por cigarro e ela nem lembra que perdeu aquele amigo fumante devido ao câncer de pulmão. Os benefícios em curto prazo do abandono do fumo são evidentes: em 1 dia já há redução do risco de ataque cardíaco, em 1 ano o risco de doença coronária cai pela metade e em 15 a 20 anos o risco de câncer se aproxima ao de uma pessoa que nunca fumou. É claro que abandonar algo que se gosta não é tarefa fácil. Quanto maior o apoio social e familiar, melhor. O sucesso no tratamento do tabagismo depende principalmente da motivação do usuário, mas se ele não se sentir amparado por amigos e familiares, mais difícil será a recuperação. Porém, o dia em que o fumante decidir que realmente vai abandonar o cigarro, perceber o bem que faria à sua saúde e à das pessoas que o apoiam e vivem ao seu redor, a chance de êxito é praticamente certa. Portanto, não desista! É possível viver sem o cigarro!






