Opinião
A vida em construção
Robson KIndermann Psicólogo
Sabemos e sentimos que somos mulheres e homens em formação. Tudo é uma construção, pois, não existe nada pronto e acabado. Hoje as transformações são rápidas e radicais. Seria muito mais interessante a nossa vida se cada um de nós soubesse valorizar suas próprias características e as dos outros. Assim, viveríamos um convívio instigante e ao mesmo tempo cúmplice. Quantas coisas criamos na nossa mente das quais não damos conta? Às vezes, memórias de tempos antigos persistem em nós.
Estamos sempre ocupados correndo no trabalho. O que percebo é que corremos, mas não saímos do lugar. Estamos preenchendo rugas, ressecando a alma, quando haveria tanta coisa bem mais confortadora a fazer. Nossa história não precisa ser de destruição, nossa experiência fundamental não precisa ser de omissão. Regras podem ser mudadas, governos trocados, costumes renovados, amores reanimados e braços podem ser estendidos para ajudar.
Esperamos demais para sermos felizes. Esperamos os amores maravilhosos, as uniões perfeitas e as amizades amigáveis. Talvez seja preciso encarar a vida com mais naturalidade e realismo ao invés de invenções. Talvez ainda seja preciso encarar o pai, a mãe, filho, colega como um indivíduo com espaço reservado, com suas necessidades, privacidades. O desejo constante de possuir o outro pode nos irritar ou incomodar muito. O que seria bem interessante aqui é uma boa dose de bom senso.
Os modelos que a vida nos oferece, no que diz respeito a amor e família, são tantas vezes irreais, tantas vezes insensatos, e nós fracos demais, com pouca bagagem emocional para discernir isso. Assim, se fôssemos um pouco mais claros, realistas nas expectativas, mais tranquilidade poderíamos ter.
Enfim, surpresas chocantes podem nascer de situações aparentemente simples. Que a gente aprenda a se divertir sem se matar, que ame sem se contaminar, que aprenda sem se enganar, que viva sem se vender e morra acreditando em alguma coisa.






