Opinião
A quem interessam as armas?
| Luci Choinacki | Deputada Federal
Diariamente, os jornais trazem estampado em suas páginas que a arma se torna um instrumento de morte, tirando vidas e trazendo sofrimento para muita gente. Muitos pais guardam armas para defender suas famílias e, muitas vezes, os filhos acabam por encontrá-las, provocando grandes tragédias.
Não podemos encarar esse problema de forma simplista. Na nossa estrutura social atual, o poder é ligado ao dinheiro. A economia move o mundo e isso não é diferente com relação ao comércio de armas. A arma é um grande instrumento de poder que acaba transformando cidadãos em criminosos. Quantas vezes ouvimos disser: "Se eu tivesse uma arma..."
Estudos mostram redução nos índices de criminalidade, principalmente no de homicídios, na época da realização de ações de desarmamento anteriores. Quando existe arma dentro de casa, a mulher corre muito mais risco de levar um tiro do que o ladrão, ou mesmo ser vítima de todo tipo de violência.
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvati, estiveram em Florianópolis para a adesão de Santa Catarina na Campanha Nacional do Desarmamento 2011, com o tema - Tire uma arma do futuro do Brasil. Santa Catarina é o 18º Estado a aderir a campanha e assume a responsabilidade de ampliar a coleta de armas. A mobilização atual traz quatro novidades em relação às campanhas anteriores: o anonimato para quem entregar a arma; a inutilização imediata do artefato; a agilidade no pagamento da indenização; e a ampliação da rede de recolhimento de armas.
Temos claro que fazer o desarmamento é o primeiro passo. Precisamos combater a violência e o crime, com a continuidade de investimentos, com políticas públicas, com creche para as crianças, educação infantil, com distribuição de renda, mudando a realidade e a história do Brasil.
Precisamos aprender a resolver conflitos de forma humanizada e com base no diálogo. Desarmar a população é dar um novo início à história, o começo da virada da página na questão da insegurança no Brasil.






