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Textos: Redação Fotos: Renan Medeiros
A luta por uma vaga na UTI neonatal
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Nesta quinta-feira, Carlos Eno Romagna Osellame completa um ano. O começo de vida dele não foi dos mais fáceis: nasceu após uma gestação de menos de sete meses, com 1,2 quilogramas e passou os 54 primeiros dos seus 365 dias internado na UTI neonatal da Clínica Santa Helena, na capital catarinense.
“Não havia vagas nem em Criciúma nem em Tubarão. Fomos obrigados a ir para Florianópolis”, lembra o pai de Carlos, Adriano Osellame.
“No mesmo quarto do Carlos, estava internada outra criança, o Frederico, cuja família também era de Criciúma. O pai dele me contou que, de cada 10 crianças que passaram por ali uma semana antes, cerca de sete eram da região de Criciúma”, relata Osellame.
“É uma vergonha para Criciúma”
No sábado passado, o filho de Wendell Villain Cardoso, também de nome Wendell, veio ao mundo. Uma surpresa, já que a esposa estava grávida de apenas sete meses. “Ele nasceu no hospital da Unimed e o médico já me alertou: se ele tiver apneia – problema comum em crianças que nascem prematuras –, vai precisar viajar, porque nunca tem leitos em UTI neonatal em Criciúma”, lembra Cardoso.
E assim aconteceu. Como Carlos, o pequeno Wendell precisou buscar ajuda na capital. “Eu fui com o meu filho em uma UTI móvel daqui a Florianópolis. No caminho, o motorista da ambulância comentou: ‘a tua sorte é que tu tens condições (financeiras)’. E ele tem razão. Não sei como uma família com poucos recursos faz nessas situações”, lamenta Cardoso.
“É uma vergonha para Criciúma e região. Dizem que a cidade é pólo disso, pólo daquilo, mas não tem nem condições de atender as crianças. Meu filho é um cidadão que acabou de vir ao mundo e já está passando por dificuldades causadas pelo descaso de políticos”, declara o pai. “Aqui em Florianópolis já até me perguntaram se em Criciúma não tem UTI, porque vêm crianças para cá o tempo todo”, conta Cardoso. “Eu nasci e me criei aí (em Criciúma), mas isso é uma vergonha para nós”.
UTI trabalha com até 110% da capacidade
Segundo o diretor técnico do Hospital Materno Infantil Santa Catarina (HMISC), Eraldo Belarmino Júnior, uma média de três e quatro crianças precisam buscar vagas em outras cidades por semana. “Nós somos um hospital de referência, então toda a região nos procura. Atualmente temos sete vagas na UTI neonatal (para crianças com até 28 dias de vida) e três na pediátrica (para crianças de pelo menos 29 dias), o que dá um total de 10 vagas”, afirma o médico. “E a ocupação está sempre em 90%, 100% ou 110%. A equipe e a estrutura que temos são para atender 10 crianças. Se começarmos a atender 12 ou 13 podemos não conseguir fazer um trabalho adequado”, explica Júnior.
Segundo secretário, número de leitos está adequado
Conforme o secretário do Sistema de Saúde de Criciúma, Sílvio Ávila Júnior, não há previsão alguma de ampliação da UTI neonatal Dâmaris Miguel Borges, no Santa Catarina. “O número de vagas está bem dimensionado de acordo com o tamanho da nossa região”, afirma.
O secretário reconhece que é grande a quantidade de recém-nascidos que precisa de remoção para Florianópolis. “Eles vão para lá porque alguns tratamentos e cirurgias só são feitas na capital. Quando o Hospital Santa Catarina estiver pronto, vamos conseguir amenizar essa situação”, garante Ávila. Ele afirma que o hospital está 70% pronto, mas não há previsão para que esteja totalmente concluído.






