Ir para o Conteúdo da página Ir para o Menu da página
Erro 404 - Página não encontrada.
Tamanho da Letra: Normal Médio Grande
Compartilhe: Twitter Del.icio.us Facebook Google Bookmarks

Opinião

segunda | 23/01/2012 06:00:00

14 de janeiro de 1951: o jogo que não acabou

| Renato de Araújo Monteiro | Museu do Futebol - Unesc/Criciúma E C - renatodearaujomonteiro@hotmail.com

Já passava dos 35 minutos do segundo tempo e o Comerciário, com um homem a mais, pressionava o "quadro operário, que procurava garantir o escore atuando com dois homens na linha e oito na defesa." A vitória simples de 1 a 0 estava dando ao time do Atlético Operário o título da LARM de 1950. De repente, aproveitando um cruzamento da direita, o meia Murici, que havia perdido um pênalti no final do primeiro tempo, se redimiu convertendo o belo gol que levaria a decisão para a prorrogação.
Neste momento os torcedores e atletas do Atlético não contiveram sua insatisfação para com o árbitro e invadiram o campo "agredindo-o a socos" até que a polícia interviesse. O incidente fez com que o juiz expulsasse todos os jogadores do Atlético Operário e desse a partida por encerrada antes do esgotamento do tempo regulamentar.
Desde que a Liga fora fundada em 1948, Comerciário e Atlético Operário haviam se convertido nas maiores forças do futebol na região. Força esta que se refletia em títulos: o primeiro do Atlético, em 1948; e o segundo do Comerciário, em 1949. O campeonato de 1950, disputado através de pontos corridos, previa uma partida decisiva entre os dois clubes na última rodada.
Como mandava o script, no dia 14 de janeiro de 1951 as duas equipes se alinharam frente a frente no gramado do Estádio Irineu Bornhausen para disputar a grande final. O jogo começou com as duas equipes cautelosas e demonstrando certo nervosismo. Logo aos 5 minutos de jogo, o atacante Zóide, em um choque com Mario, goleiro do Comerciário, sofreu séria contusão e teve que abandonar a partida, deixando o Atlético - em uma época em que as substituições não eram permitidas - com apenas 10 atletas em campo. Em vantagem numérica, o Comerciário demonstrou certa superioridade no jogo. Entretanto, foi o Atlético que abriu o marcador, quando Jonas converteu a penalidade máxima assinalada pelo juiz da partida. Nem o pênalti marcado para o Comerciário, logo em seguida, impediu que os bacharéis terminassem o primeiro tempo em desvantagem. Por ironia, Murici, o craque do time, havia desperdiçado.
Na volta do intervalo, com um homem a mais, o Comerciário era todo pressão para cima do Atlético, mas o gol insistia em não sair. Quando saiu, a confusão foi generalizada. O campeão continuava indefinido, o título daquele ano seria decidido nos tribunais, e não dentro das quatro linhas.
No dia 5 de fevereiro, a recém inaugurada Folha do Povo noticiaria que, por 4 votos a 1, o Conselho Esportivo da FCD havia dado ganho de causa ao Comerciário, declarando-o campeão. Na mesma página, o Atlético anunciava que iria recorrer da decisão. Entre polêmicas e confusões, o Comerciário foi o vencedor do Campeonato de 1950, sagrando-se bicampeão da Liga Atlética da Região Mineira.