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A saudade no vocabulário de Carolini
Vanessa Feltrin | da Redação
Ela ainda não completou nem 18 anos, mas a responsabilidade do mundo dos adultos já a acompanha desde que ela era uma menininha de nove anos. Filha mais nova de quatro irmãos, Carolini Spader, 17, conta com um currículo de vida que impressiona muitas pessoas. Já morou em três países, fala três línguas, ficou seis anos sem a companhia dos pais e afirma que a palavra saudade faz parte do vocabulário dela desde sempre. "Minha vida é recheada de encontros e desencontros", diz.
Foi em 1998 que Terezinha e Luiz, pais de Carolini, decidiram mudar de país. A idéia partiu da mãe dela, que veio com a idéia fixa de ir para os Estados Unidos, depois que uma prima de Imbituba havia retornado de lá. O casal partiu sozinho para a região de Boston e deixou os quatro filhos (Kátia, Karina, Claiton e ela) sob os cuidados da avó. Nascida e criada no distrito de Rio Maina, em Criciúma, Carolini driblava a ausência dos pais, com os carinhos da avó, da irmã mais velha e dos amigos. "Minha irmã mais velha, Kátia, na época com 20 anos, supriu a falta que minha mãe fazia. Ela foi mãe, amiga e conselheira quando fiquei longe de meus pais", conta.
Na visita do pai,
uma passagem
Em 2002, a mãe de Carol, como a garota costuma ser chamada, esteve no Brasil. Ao retornar à terra do tio Sam, Terezinha levou Claiton. A avó dela, que antes morava com a garota, mudou-se para a casa de uma tia da jovem. Assim, as três irmãs cresceram mais dois anos sem a presença física dos pais e, desde então, do irmão. Em 2004, Carol e Karina foram surpreendidas pela visita do pai que veio especialmente para levá-las para os Estados Unidos, a terra das oportunidades, como a garota define o país.
Como não tinham o visto de entrada para os Estados Unidos, a família decidiu chegar na América de outro jeito: com o passaporte italiano, que as garotas também não tinham. "Em fevereiro de 2004 fomos para Verona, na Itália. Demos entrada na documentação e eu e minha irmã permanecemos lá sozinhas por cerca de seis meses, já que meu pai voltou aos Estados Unidos. Como os documentos ficaram prontos em datas diferentes, minha irmã partiu primeiro ao encontro dos meus pais e de meu irmão. Eu tive que esperar mais um pouco até completar 16 anos e poder viajar sozinha e sem autorização dos meus pais. Foi o pior aniversário da minha vida", ressalta.
Carol chegou aos Estados Unidos em 19 de agosto de 2004. Ninguém a esperava no aeroporto. Sentiu medo, no início. No aeroporto, só falava em italiano. Tinha medo de falar português e ser encaminhada de volta. "Como ninguém me entendia, uma intérprete veio falar comigo. Graças a Deus que só perguntou o básico. Me deu uma tremedeira no aeroporto. Só pensava: se permanecer mais 14 horas em um avião, a caminho de volta, eu morro", relata.
Depois do aeroporto
o reencontro
O irmão Claiton chegou ao aeroporto, para buscá-la, 40 minutos depois. Desde então, a alegria ocupou o lugar de todos os outros sentimentos. "Encontrei toda a minha família, com exceção da minha irmã mais velha que ficou no Brasil com meu sobrinho. Maior surpresa foi chegar na minha nova casa: coisa de filme. Na minha rua todas as casas são iguais, sem muros. Amei", diz.
Carol mora em Somerville, em Massachusetts há dois anos. Está no último ano na escola e trabalha em uma loja de artigos esportivos. Os pais voltaram ao Brasil há dois meses porque Luiz ficou doente. Hoje, ela mora com o irmão, uma irmã e com os tios. "Não me arrependo de ter vindo para cá, apesar de muitos meses de choro e querer voltar ao Brasil. Meu sonho é ter minha família toda reunida novamente aqui, porque só pretendo voltar ao Brasil a passeio. Enquanto não o realizo, já que não tenho como, fico feliz porque guardo comigo todas as lembranças."
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