Adelor Lessa
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Política
"Alguns profissionais se saem muito bem na entrevista, mas se revelam medíocres. Outros não vão bem na entrevista mas se mostram brilhantes. Eu prefiro dar às pessoas uma chance de se mostrar"
(Donald Trump)
Obra do Anel Viário já precisa de R$ 100 milhões e não tem nada garantido
A reunião de ontem em Rio Maina, na Intendência, sobre o Anel de Contorno Viário de Criciúma foi, antes de tudo, esclarecedora e preocupante. Foi dito, por exemplo, que não tem um centavo sequer garantido, seja da prefeitura, do Governo do Estado ou do Governo Federal, para a segunda etapa (da região da Unesc até o São Simão); a emenda coletiva incluída no Orçamento da União com recursos para a obra é como comprar "terreno na lua", nunca sai; a inclusão da obra no PAC só é possível com ação política direto no "andar de cima" do Planalto; no trecho entre a região da Unesc e Rio Maina (metade da etapa que falta), tem que remover em torno de 400 casas, além das outras desapropriações; no trecho de Rio Maina até São Simão, tem que fazer um elevado não previsto no projeto original que custa pelo menos R$ 10 milhões. Tem mais as licenças ambientais. Enfim, a conta para fazer a segunda etapa do Anel, projetada em R$ 65 milhões, já passa de R$ 100 milhões. Até agora, na primeira etapa, entre São Simão e a região da Unesc, o investimento foi em torno de R$ 35 milhões, em 13 anos. Diante destes números, e pelo quadro "pintado" ontem, a segunda etapa do Anel está seriamente ameaçada. Inclusive pelo que se viu lá. Enquanto uns mostravam um caminho para viabilizar a obra, os outros sustentavam outro encami- nhamento. Mas, se com todos juntos já não vai ser fácil levantar tanto dinheiro, que é três vezes tudo o que já foi investido, imagina se continuarem divididos!
Mudar o rumo
Na reunião de Rio Maina, deputado Jorge Boeira defendeu trabalho coletivo para garantir inclusão da obra no PAC, disse que já fez contatos em Brasília e pode ter audiências marcadas para agosto e arrematou: "Esperar pelo dinheiro da emenda coletiva é perda de tempo; dinheiro de lá, não sai".
Não cabe
Prefeito Clésio Salvaro mostrou a "cartilha" do PAC distribuída pelo Governo Federal, disse que não cabe obra de pavimentação no programa e que só seria possível um empréstimo do Governo Federal, o que não interessa porque a prefeitura de Criciúma não tem capacidade de endividamento.
Chapecó
Logo que saiu da reunião, Boeira acionou por telefone o deputado Claudio Vignati, que é de Chapecó, para saber como a cidade conseguiu os R$ 60 milhões do Governo Federal para obra do novo acesso. Disse ter sido informado que o dinheiro foi liberado pelo Governo Federal, via PAC.
Emenda coletiva
A tradição em Brasília em relação às emendas coletivas é a seguinte: primeiro, o Governo Federal usa o dinheiro que tem para fazer obras que ele incluiu no orçamento; depois, atende as emendas dos parlamentares; por fim, se sobrar, atende as emendas coletivas. O problema é que nunca chega à terceira etapa. Muitas vezes, acaba na primeira.
Semelhança
Obra do Anel com dinheiro da emenda coletiva é tão viável quanto a construção da Via Rápida pela PPP (Parceria Público-Privada).
Aproveitando a ocasião
Prefeito Salvaro disse na reunião que a obra do acesso da BR-101 a Imbituba (porto) foi incluída no PAC porque é uma ligação de rodovia federal com a área urbana da cidade. Disse para mostrar que não é o caso do Anel de Contorno de Criciúma. Mas, se for assim, por que não incluir no PAC a obra da Via Rápida?
Uma vida
Empresário Estevão Pierini disse na reunião: "Ouço falar do Anel Viário faz 31 anos, tenho 54 anos de idade, e pelo jeito vou morrer e não vou ver a obra pronta".
Demora
Técnico que trabalha com projetos na área pública, que conhece o caso do Anel Viário de Criciúma, disse ontem que a licença ambiental só para o trecho entre Rio Maina e São Simão, teoricamente mais fácil de fazer, deve demorar dez meses.
Mordeu a língua
No fim de 2009, quando o deputado Valmir Comin alertou que o Governo do Estado não tinha incluído um real no Orçamento para 2010 e tentou aprovar emenda com uma parcela do recurso necessário, pelo menos para garantir o reinício da obra, foi atacado pela bancada governista na Assembleia. Deputado Altair Guidi, na época secretário de Planejamento, disse na Rádio Som Maior: "Não precisa, orçamento é peça de ficção, depois vai deslocar dinheiro de outra dotação para a obra". Até agora, nada!
Estacionamentos
Deputado Valmir Comin, PP, fez aprovar na sessão de ontem na Assembleia solicitação ao Ministério Público e Procon para que fiscalizem a aplicação da lei, de sua autoria, que fixa tempo para "estacionamento liberado" em supermercados, shoppings e bancos.
Índio apita!
O candidato a vice de José Serra, deputado carioca Índio da Costa, DEM, mostrou ontem, na entrevista exclusiva, ao vivo, na Rádio Som Maior, porque foi o escolhido para compor chapa presidencial. Além de jovem, muito envolvido nas redes sociais, com mais de 60 mil seguidores no twitter e relator do projeto da "ficha limpa", tem discurso articulado, contundente, sem papas na língua.
Ligado
Índio tomou a iniciativa de falar da duplicação da BR-101 no Sul dizendo que é um absurdo tanta demora na conclusão, afirmou que o Dnit virou um "caixa dois" de campanhas políticas, defendeu as privatizações que já foram feitas e foi duro no ataque ao PT. Repetiu denúncia de ligação do partido com as Farc e completou: "se o PT é ligado às Farc e as Farc são ligadas e sustentadas pelo narcotráfico, o que você pode deduzir?".
Recompondo
No PMDB, as reações à tríplice aliança, pelo menos no "alto escalão", estão resolvidas. Direção estadual do PMDB, presidida por João Mattos, anunciou ontem engajamento na campanha. Paulo Afonso já havia anunciado. Deputados Valdir Colato e Celso Maldaner subiram ontem ao palanque.
Na base
PMDB da Amrec reuniu ontem em Criciúma, à noite, seus prefeitos, vereadores e dirigentes de executivas municipais para tratar da campanha. Hélio Bunn, prefeito de Lauro Müller, que tem problemas no seu município com o DEM, anunciou que "está integrado". Comício do comitê da tríplice aliança foi confirmado ontem para sexta-feira da próxima semana.
No Vale
Geovana Benedet, candidata do PSDB a deputada federal, recebeu o apoio formal do diretório de Timbé do Sul, terça-feira à noite. Tati Teixeira, candidata a deputada estadual, estava com ela na reunião.





