Beto Soares
No meio do mundo
No meio do mundo, esquina com o Rio Amazonas. É assim que os habitantes de Macapá, no Amapá, se referem ao lugar onde vivem.
Está certo. Macapá é dividida pela linha imaginária do Equador. De um lado, fica o hemisfério norte, do outro, o sul.
Tem um monumento que marca a linha do Equador, chamado Marco Zero.
Do Marco Zero sai uma avenida que vai em direção ao rio. As pessoas que moram em uma calçada estão na primavera neste momento, as que moram do outro lado da rua, na outra calçada, estão no outono.
Nas costas do Marco Zero, a uns cem metros, fica o estádio de futebol da cidade. A linha que divide o campo ao meio fica exatamente na linha do Equador. Ou seja, cada time joga em um hemisfério, no mesmo campo.
Interessante.
Aliás, o Amapá tem muitas coisas interessantes.
O Rio Amazonas, que banha boa parte do estado, até abraçar o mar, é uma delas.
Quando eu era criança, estudei que o Amazonas era um rio muito grande. Ao chegar aqui, vi que, na verdade, ele é maior do que ensinam no colégio.
A melhor caipirinha de cachaça do Brasil também mora aqui, em Macapá, no restaurante Estaleiro. E olha que já bebi caipirinhas por todo o Brasil.
Tem a Ilha de Marajó, que, sozinha, sem contar as outras centenas de ilhas ao seu redor, é maior que a Suíça.
No Amapá, tem 36 cachoeiras, mas uma delas a gente não pode deixar de ver: a Cachoeira de Santo Antônio. Fica no município de Laranjal do Jari, no sul do Amapá, e lembra as Cataratas do Iguaçu, em escala menor.
A floresta intocada ao redor, os pássaros coloridos e suas límpidas águas fazem da Cachoeira de Santo Antônio a mais bela paisagem do Amapá.
São 210 quilômetros de Macapá até Laranjal do Jari, terceiro município mais importante do estado. Depois mais vinte minutos de barco até a cachoeira.
Outra coisa da maior relevância: o Amapá é o estado brasileiro com maior área preservada. Tem diversos parques ecológicos, reservas indígenas e reservas biológicas onde ninguém mete a mão, nem o Sarney.
Amanhã, vou para o norte. Vou conhecer a Pororoca, que também ouvi falar no colégio, e que é o encontro do Rio Araguari com o Rio Amazonas. Se eu estivesse com a prancha da Livinha, minha filha, ia aproveitar para pegar umas ondas.
Depois, subo um pouco mais e vou até o Oiapoque, que é o Chuí daqui.
Na semana que vem, eu conto.
Se eu não aparecer, das duas uma: ou atravessei do Oiapoque para a Guiana Francesa e da Guiana peguei um avião para Paris, aproveitando que ali a passagem é a metade do preço, ou uma onça me engoliu.
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