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Colunista

P U B L I C I D A D E
P U B L I C I D A D E
quinta | 23/05/2013

Luiz Carlos Prates

Toda pessoa tem o sagrado direito de dizer que não se quer misturar a certa gente, todo direito. E isso não é, ou até pode ser, preconceito. Paciência. Não me quero misturar e pronto, direito meu.
Digo isso, leitora, porque estamos vivendo um momento muito promíscuo, basta que você veja o que estão colocando nas novelas da televisão ou nos programas populares, que são todos. Uma mistura braba, mistura que a sociedade aqui fora, curiosamente, não aceita, pelo menos a maioria.
Sempre disse por aqui que para mim há dois tipos de ricos, os ricos do bolso e os ricos da cabeça. Nem preciso explicar que admiro e aplaudo os ricos da cabeça, esses demonstram que fizeram esforços continuados, foram disciplinados, tiveram objetivos, lutaram, suaram e alcançaram a boa e iluminada cabeça. Minha incondicional admiração a esses. Já riqueza de bolso pode ser obtida de um dia para outro, basta o sujeito assaltar um banco ou traficar drogas da pesada... A riqueza da cabeça ninguém a pode obter de um dia para outro, ela exige tempo.
O que me traz a esta charla é o que acabo de ler em manchete na Folha: - “Serviços “Vips” e diferenciados crescem 42% em São Paulo”. São serviços de todo tipo, desde poltronas especiais em cinemas a salões de cabeleireiros, tudo, de tudo. O sujeito, que se acha “vip” quer o melhor, quer o diferenciado, quer o lugar e o atendimento especial. Tudo bem, mas o que é ser vip – very important people – para os americanos, pessoa muito importante? É ter dinheiro?
Não para os meus princípios.
Vip para mim é uma pessoa de bom gosto, de gestos educados, de boas leituras, de conversa elevada, de modos discretos e humores sob controle... O mais é artificialismo, é querer parecer o que se não é por dentro. Se alguém
me disser que é vip, peço que abra a boca e fale. Ela se revelará sem rebuços. Mostrar-se-á vip ou brega metido a chique...

BLUMENAU

Estive em Blumenau para fazer palestra para o pessoal do Rotary, andei pelas ruas, ouvi música alemã, revi amigos, conheci outros e... Num certo momento, ia à minha frente numa calçada um jovem cidadão. Pela avaliação a distância, um sujeito comum. Dado momento, ele vê num canto da calçada um papel jogado por algum porco, ele se abaixa, pega o papel e anda até a primeira lixeira, deixa lá o papel. Que gesto, que educação, que civilidade, que admirável. O sujeito que se me afigurava comum, passou-se a ser visto como um cavalheiro, um belo cidadão. Gestos revelam.

FLORIPA

Volto de Blumenau para Florianópolis, vou dirigindo pelo sul da ilha e lá pelas tantas cruzo por um tipo, um vagabundo de bicicleta... Ele ia comendo não sei o quê e “simplesmente” jogou o papel que sobrou no chão, e foi indo, pedalando para o nada da sua vida imunda. Dois casos, o de Blumenau e o de Floripa, qual a cidade que tem mais futuro a partir desses dois exemplos?

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