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Beto Soares

quarta | 27/10/2010

Crônica - Como sou ingênuo.

Negócios
No Burger King você compra um refrigerante, recebe um copo e se serve na maquininha quantas vezes quiser, ou puder. Se você conseguir beber dez copos, tudo bem.
Achei interessante.
Mas fiquei me perguntando se eles não perdiam dinheiro com isso.
Dia seguinte, li no jornal que um grupo de empresários brasileiros havia comprado o Burger King dos americanos por alguns bilhões de dólares.
Meu Deus, como sou ingênuo. Como sou ingênuo.

Política
Um governador me contratou para cuidar do marketing eleitoral dele.
Fiquei um tempo observando o cenário de seu Estado, que eu não conhecia, fizemos uma pesquisa, estudei o caso.
E recomendei: você deve romper com o governo anterior, o governo anterior não tem nada a ver com você, seu projeto é outro, etc.
Ele recusou meus conselhos e procurou outro marqueteiro.
Dois meses depois ele e o governador anterior foram presos pela Polícia Federal.
Meu Deus, como sou ingênuo. Como sou ingênuo.

Futebol
Convidaram-me para exercer o cargo de diretor de futebol de um importante clube do futebol brasileiro, integrante da Série A.
Aceitei.
Depois de dois meses no cargo, percebi que alguns jogadores não serviam e eu não entendia porque o treinador insistia em mantê-los no time.
Pedi uma reunião com a Diretoria e o Conselho do clube e expus a eles o que eu pensava.
Mandaram-me embora.
O treinador e aqueles jogadores que eu achava que não serviam continuam lá até hoje.
Meu Deus, como sou ingênuo. Como sou ingênuo.

 

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