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Beto Soares

quarta | 01/09/2010

Crônica: A festa do Olavinho

- Meu bem, você acha que tô bem assim?
- Acho que tá.
- Você acha? Não tem certeza?
- Tá bem, sim.
- A camiseta?
- O que é que tem a camiseta?
- Não tá amassada?
- Deixa eu ver...
- Xi, parou pra pensar. Por quê? Tá amassada?
- Não, não é isso.
- Tá apertada?
- Não.
- Não ficou legal eu cortar as mangas?
- Ficou, ficou legal.
- O que é que é então?
- Nada, nada.
- E a bermuda?
- O que é que tem?
- Fico bem de bermuda?
- Fica.
- Combinou com a camiseta?
- Combinou.
- Esse seu “combinou”, não sei, não.
- O que é que tem?
- Se não tá bem, me diz. Pelo amor de Deus!
- Mas é só uma festa, meu bem.
- Só uma festa não! É uma festa na casa do Olavinho!
- Calma, meu bem.
- Vai estar todo mundo lá! Todo mundo! Eu preciso estar bem!
- Mas você está bem, meu bem.
- Não sei não.
- Tá sim.
- E o cabelo?
- O que é que tem o cabelo?
- Boto gel? Não boto gel?
- Você nunca usa gel, bem.
- O que é que você quer dizer com isto?
- Nada, nada.
- Como nada?
- Nada.
- Por acaso eu devia usar gel sempre?
- Como você tá nervoso, meu bem.
- Não é pra menos, não é pra menos. Vai estar todo mundo na casa do Olavinho. Todo mundo!
- Meu bem, o que é isto na sua mão?
- Nada, nada.
- Deixa eu ver.
- Não é nada, não é nada.
- Meu bem, você fez as unhas!
- O que é que tem? Não posso?
- Pode, claro. É que...
- O que? Não ficou bem?
- Bom...
- O que foi agora?
- Nada, nada...
- Me diz! Pelo amor de Deus! Vai estar todo mundo lá! Vai estar todo mundo lá!

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