Gildo Volpato
Somos frutos de nossas escolhas
Iniciamos as atividades de recepção de novos alunos na Unesc. E nelas costumo fazer a reflexão sobre a importância de fazer boas escolhas na vida. Afinal, não tenho dúvida de que somos responsáveis por nossas escolhas e, em boa parte, somos também resultado de nossas escolhas durante a vida, salvo em caso de acontecimentos e tragédias que não conseguimos entender. Geralmente temos muitos caminhos a seguir, temos muitas opções a fazer e elas pressupõem sempre renúncias das outras possibilidades.
No caso dos estudantes calouros, tiveram que escolher uma universidade, escolher um curso superior em um momento em que muitos ainda não têm claro que profissão gostariam de seguir. E a angústia acontece porque fazer um curso de graduação pressupõe já a definição de uma futura profissão que ainda nem sabemos direito se é mesmo a que gostaríamos de seguir. Também porque geralmente gostamos de mais de uma matéria, de mais de um curso, ou de mais de uma área de conhecimento, mas temos que encontrar elementos que nos ajudem a definir por um, e pronto.
Após a difícil escolha pelo curso, durante todo o tempo que durar o processo de formação acadêmica e profissional, muitas escolhas ainda terão que ser feitas. Ver menos televisão, menos filmes, novelas, ir menos a festas e baladas, diminuir a frequência nos barzinhos, às vezes dormir menos para dar conta de fazer os trabalhos acadêmicos, estudar para as avaliações etc. Afinal, em apenas quatro ou cinco anos cada um dos jovens deixa a condição de estudante e esperam-se dele conhecimentos, habilidades e atitudes de um profissional da área que escolheu seguir.
Isto dá a dimensão da responsabilidade que cada um dos estudantes tem pelo seu processo de formação, afinal, é sempre um processo de autoformação. Paulo Freire já dizia que ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.
Tenho refletido com os jovens estudantes nestes momentos de recepção de calouros que até é possível um professor eventualmente ensinar um conteúdo substituindo outro professor, mas jamais um estudante poderá aprender pelo outro, se desenvolver pelo outro estudante, pois é sempre um processo de autoaprendizagem, de autoformação.
Nesse sentido, de nada adianta a Universidade oferecer um excelente quadro de professores especialistas, mestres e doutores, de nada adiantam laboratórios e equipamentos de ponta, biblioteca equipada, se os estudantes não quiserem usufruir, se os estudantes não quiserem estudar, se não escolherem se responsabilizar pelo seu processo de aprendizagem e desenvolvimento. E não adianta de nada o estudante ser filho de engenheiro, médico, advogado, ou de qualquer outra profissão, pois todo e qualquer processo de formação profissional é sempre um processo educativo, pedagógico, de formação humana, pois ninguém nasceu com os genes de uma profissão A ou B.
Bem, se tudo isso que falei pareceu um tanto pesado, enfadonho, para mim representa a esperança de que muita coisa possa ser mudada na educação a partir de seus protagonistas, ou seja, no momento em que não só os professores, mas os estudantes assumam seu papel de protagonistas na sua autoformação. Na verdade, são palavras de esperança, pois penso que servem para elevar e colocar na primeira pessoa todo o potencial humano de formação e de transformação.
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