Gildo Volpato
Sinais de inovação nas práticas pedagógicas de profissionais liberais professores (6)
Hoje escrevo o último texto de uma série que iniciei há seis semanas, em que apresento o resultado de um estudo sobre sinais de inovação nas práticas pedagógicas de advogados, engenheiros e médicos professores universitários. O quinto sinal de inovação encontrado chamei de Ruptura com a sisudez/apatia na sala de aula.
A tristeza e a apatia, bem como a "seriedade", combinam historicamente com os espaços onde se promove a educação formal, seja na escola ou universidade. Há muitos séculos o ensino vem sendo orientado para o futuro, buscando-se formar homens adaptados e utilizáveis para as diversas sociedades humanas. Conforme Moacir Gadotti, é como se dissesse ao estudante: "Fique tristinha aí agora (...) a escola tem que ser triste mesmo, porque amanhã é que você vai se encher de contentamento. Hoje, a escola tem que ser triste, sisuda, porque o saber é uma coisa muito difícil de se adquirir. É amanhã que você vai ter a recompensa pela tristeza de hoje. Você tem que adiar a sua alegria para depois da escola". Albert Einstein já dizia que quem recebe o ensino deveria recolhê-lo como um dom inestimável, mas nunca como uma obrigação penosa.
Principalmente nas últimas décadas, a discussão em torno da educação também se dá em torno da necessidade de mudanças de métodos e das relações pedagógicas. Conforme Snyders, "mesmo que ainda quase não se diga que educar é ir em direção à alegria, afirma-se, menos que antigamente, que educar é ir contra a alegria".
Paulo Freire fala que a tristeza da escola termina por deteriorar a alegria de viver, e diz: "Há esperança de que professor e alunos juntos podemos aprender, ensinar, inquietar-nos, produzir e juntos igualmente resistir aos obstáculos à nossa alegria".
Na entrevista, os alunos trataram de diferenciar o professor referência em seus cursos de graduação "pela empolgação em vir dar aula, sempre dizendo: 'Vamos lá, vamos de novo!' Tinha um que chegava, botava slides... parecia uma obrigação vir dar aula" (aluna da Medicina). "Pode estar morrendo de cansaço, mas ele chega aqui na aula e se renova" (aluno da Engenharia). "Tem que estar aqui por gostar, por amor à profissão" (aluno do Direito). Um professor do curso de Direito disse: "O professor não pode cair no marasmo de abrir um código, sentar e falar de forma que numa distância de três metros não dá para escutar. Ele tem que imprimir um ritmo, mudar o tom de voz, chamar a atenção. Tem que dar dinamismo para o aluno aprender. Não dá para o aluno ficar como ouvinte durante três horas. Tem que motivá-los a participar".
Pedro Demo ratifica esta ideia ao mesmo tempo em que faz um alerta: "É importante oferecer aulas prazerosas, evitar o cansaço desnecessário, envolver os alunos, mas isto não quer dizer alegria do bobo alegre (…). Tudo fica mais fácil se o professor for figura divertida, mas isso não é da essência; pode facilmente ocorrer que os alunos se divirtam mais do que aprendam". Uma professora do curso de Engenharia disse: "Gosto muito de estar em sala de aula. Essa alegria que eu tenho contagia os alunos de alguma forma", o que é muito positivo.
Os professores que entrevistei se preocupam em manter os alunos atentos, interessados, por entenderem ser fundamental para a aprendizagem, e isso aumenta quando se trata de alunos de cursos noturnos. Um professor do curso de Engenharia disse: "Sempre fico preocupado em tornar a aula dinâmica, motivar os alunos, de passar coisas práticas que despertam o interesse deles. O curso é noturno e a gente tem essa preocupação de não deixar eles mais cansados, com sono, aí a gente se movimenta mais". A simpatia do professor também é levada em conta. Uma aluna da Engenharia assim se expressou: "Ele é simpático, não é aquele professor carrancudo, aquele que tu fica com medo de falar as coisas".
Os professores procuram fazer algo que motive os alunos para que se engajem na aula, principalmente quando se trata de processos de aprendizagens mais exigentes. Também a emoção é desejável, se for para investir mais a fundo na presença altamente participativa dos alunos.
O mais importante é que esses esforços dos professores, embora ainda não tenham força para mudar as macroestruturas, produzem uma ruptura com as práticas habituais de sala de aula, qualificando o processo de formação na medida em que estão voltados a um só objetivo: fazer com que os alunos aprendam e internalizem os conhecimentos de forma mais significativa e prazerosa.
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