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Beto Colombo

sexta | 09/12/2011

O novo e o velho

Querido leitor, nas organizações humanas, talvez o grande dilema que atravessa gerações seja a convivência do novo, que é geralmente implacável, com o velho, que, em muitos casos, é inconteste.
No conceito básico budista, sofremos porque nos apegamos ao que passou, ao velho. Negamos e renegamos a impermanência, ou seja, de que ninguém se banha na mesma água. Afinal de contas, a água flui, a vida passa e o rio vai ao encontro do mar.
Osho, mestre indiano que se mudou para os Estados Unidos onde morreu na década de 1980, diz que a vida é o novo, a morte é o velho. Para ele era assim e geralmente tem sido assim.
Para termos uma ideia deste confronto, é só olharmos em casa, onde nossos filhos adolescentes e jovens, querendo se posicionar na vida, confrontam-nos num bonito duelo entre o velho e o novo. No trabalho este confronto muitas vezes é implacável, pois exige transformação de muitos que teimosamente insistem em se apegar ao velho.
Antigamente, quando meu pai precisava formar uma boa junta de bois para arar a terra, ele cangava um boi mais velho e experiente com um terneiro novo, forte e sem experiência. No início era difícil, logo, com um pouco de persistência, o trabalho fluía.
Lembro do livro "Quem mexeu no meu queijo", de Spencer Johnson, onde Hem, o personagem, apegado, não se conforma que o estoque de queijo havia se extinguido. Nostálgico, ele acreditava que assim como sumiu, o estoque retornaria. Jamais retornou.
Digo isso para contextualizar o que vi recentemente nas praias de Florianópolis, onde, há anos, os pescadores, no final do outono e início do inverno, aguardam a entrada das tainhas. Fazendo o caminho da ilha, observei a cada praia, homens olhando fixamente para o mar numa repetição do velho que vem desde os pais, avós, bisavós, tataravós...
Contudo, penso que um dos segredos da nossa existência é justamente a convivência pacífica entre o novo e o velho. E na singeleza e simplicidade dos pescadores pude perceber isso.
Lembro que há anos, o olheiro avisava os demais pescadores que aguardavam na praia fazendo sinal com uma bandeira. Às vezes levava um bom tempo para ser notado. Passou o tempo e as tecnologias foram mudando, a ponto de usarem, inclusive, fogos de artifício. O novo sempre se fazendo presente.
Contudo, nos dias atuais, o novo veio com o mais novo e agora, em vez de bandeira, de foguetes, os pescadores têm o celular. Por intermédio do telefone, os olheiros podem dar mais detalhes da localização, da quantidade de peixe e, assim, os pescadores em terra, podem executar com mais eficácia suas atividades.
Um bom exemplo onde o novo e o velho convivem em harmonia e um em benefício do outro.
É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre o novo e o velho?