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Beto Colombo

quinta | 15/07/2010

O Caso do Goleiro Bruno

| Beto Colombo | Empresário - beto@anjo.com.br

Numa entrevista no Programa Adelor Lessa, na última terça-feira, ele perguntou como a Filosofia Clínica vê esse caso do goleiro Bruno.
Minha resposta foi que tenho ouvido tantas coisas, tantas controvérsias a respeito desse caso que está abalando o país, do goleiro Bruno, seu amigo Macarrão e os demais envolvidos, e também li nos jornais tantos absurdos de algumas pessoas que dão seu ponto de vista apenas pelos noticiários e de "ouvir dizer que...".
Lembro-me do livro "O Caso dos Exploradores de Caverna", em que depois de ficarem presos (desmoronamento) dentro de uma caverna por mais de trinta dias e por faltar comida, os exploradores fizeram um acordo e tiraram a sorte para saber qual deles seria morto e devorado pelos companheiros pela sobrevivência dos demais. Depois de libertados, acabaram sendo condenados à forca pelo que fizeram dentro da caverna.
Será que os júris que condenaram à forca aqueles exploradores realmente conheciam o que aconteceu dentro da caverna? Conhecer é uma coisa, agora viver o acontecido é outra coisa.
O que vejo nesse caso do Bruno é muitas pessoas falando e escrevendo de fora da caverna, julgando, condenando, dando seu ponto de vista, se posicionando conforme a estrutura de seu pensamento, portanto, que tem muito a ver com ela mesma, sobre o que realmente aconteceu naquele contexto. O caso é grave, eu sei, e também estou comovido, agora como eu posso opinar com tantas opiniões, com tantos termos, equívocos, tão longe e, principalmente, do lado de fora da caverna? O que realmente aconteceu? Não sei. Essa é minha resposta. Não conheço o contexto, não tenho a historicidade, a não ser pelo que ouvi dizer.
Podemos, nesse caso, fazer tantas leituras. Um psicólogo pode fazer a sua leitura. Do ponto de vista médico, pode se fazer ainda outra, do ponto de vista ético outra, do religioso, provavelmente, é outra leitura, e diferente das demais.
Sobre a ótica da filosofia clínica, falo por mim, penso que a melhor leitura é a leitura de dentro da caverna. Nós não sabemos, de fato, o que aconteceu, o que se passou, e alguns de nós ficam atirando contra o inimigo de dentro da trincheira e comemorando quando acerta. Talvez, se conhecesse o inimigo, sua historicidade, sua intimidade, sua família, seus amigos, filhos, mãe, pai, irmão, será que um tiro acertado seria motivo de comemoração?
O que tenho lido e ouvido sobre esse caso do goleiro Bruno é um grande tiroteio. E se aparecer um fato novo que muda toda a trajetória investigativa? Estou dizendo que não cabe a nós julgar, atirar pedras, condenar sem saber o que aconteceu dentro da caverna. Os juízes vão aplicar a lei dos homens e, se os envolvidos forem condenados, vão pagar conforme essas leis. E quem comete delitos como esse que supostamente foi cometido, vai pagar a conta com ele mesmo e também com a Justiça dos ho-mens.
Será que a resposta para esse e tantos outros casos está nessas leis e nessas punições? Penso que de fora da caverna só me resta ouvir, anotar, me comover e esperar.
Isso é assim para mim.
Estamos juntos
Beto Colombo