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Hélio Mazzolli

terça | 20/09/2011

O aumento do ipi

A decisão intempestiva de aumentar o IPI sobre a importação de veículos é típica de um país oportunista. Num país de primeiro mundo, tamanha mudança não dependeria da opinião de uma só pessoa, mas sim de uma decisão parlamentar. E, se tal ocorresse nos Estados Unidos, seria uma medida que decorreria de uma proposta de um candidato submetida a uma eleição geral, aprovada pelo Congresso.
Em outras palavras: demonstra uma perfeita insegurança institucional típica dos brasileiros.
Eu ainda penso que essa decisão política tem um alcance muito maior. É provável que tenha sido acertado com a liderança sindical que, com essa proteção, as reivindicações de reajuste salarial previstas para o mês que vem não extrapolem as variações do IPCA do período anterior.
No curto prazo, a medida brasileira será aplaudida pelos beneficiários, mas, no longo prazo, será uma lástima para os consumidores. Volta-se ao mercado fechado, prenúncio de atraso tecnológico, porque desestimula a competitividade ocasionada pela globalização.
Uma medida mais saudável seria a de eliminar a contribuição para o sistema S e INCRA sobre a folha de pagamento do pessoal. E limitar a contribuição patronal ao salário-contribuição dos associados. Para toda a cadeia produtiva.
Fica no ar a decisão da medida de ter prazo fixado para vigência até final de 2012. Mas não quer dizer que efetivamente terminará nessa data.
De acordo com o divulgado pela imprensa nacional, o número de veículos nacionais licenciados até agosto foi 2,2% maior do que o de um ano antes. A receita de exportações de veículos foi 17,3% superior à de janeiro-agosto de 2010. O licenciamento de veículos importados aumentou, de fato, e chegou a 22,4% do total de licenciados. Em todo o ano passado, a proporção foi de 18,8%.
Enfim, foi criado mais um problema a ser resolvido no futuro.