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Beto Colombo

terça | 01/11/2011

Meu jeito

Queridos leitores, dias atrás fui a um show e encontrei um velho amigo, que há muito tempo não via. Ele me perguntou rispidamente por que eu havia me afastado tanto dele. Disse-me que aquela "minha decisão" nos separou a ponto de ele não conseguir falar comigo por dez longos anos.
Contente com o encontro, mas meio constrangido pela pressão, respondi que, naquele momento, minha atitude parecia lógica. Contudo, horas mais tarde, eu percebi que minha decisão contemplava apenas a razão, a minha razão. Hoje compreendo que aquele meu amigo funciona diferente de mim e ele esperava que eu o compreendesse.
Na época, depois do acontecido, eu apenas deixei o rio fluir, a vida continuar. Não havia mais nada a fazer, afinal de contas, a vida não é como eu desejo, a vida é como ela é.
Confesso que, se eu tivesse o conhecimento e a maturidade de hoje, certamente teria feito uma recíproca de inversão. Teria, pelo menos, tentado ir ao mundo dele e a decisão provavelmente teria sido diferente. Pelo menos o encaminhamento desta amizade separada seria, no mínimo, diferente.
Hoje eu me pergunto: Por que nos torturamos tanto por algo que não deu certo lá no passado? Por que julgamos o passado com a maturidade que temos no presente?
Na música My Way, Frank Sinatra canta: "Se eu acertei ou se eu errei, eu fiz do meu jeito".
Com a maturidade, tenho aprendido que tudo isso faz parte do caminho e que não precisamos nos torturar porque cometemos tais erros. Errar faz parte da jornada humana. Muitas vezes, só sabemos que estamos crescendo como ser humano quando cometemos erros diferentes.
No consultório, tenho recebido pessoas despedaçadas existencialmente e se torturando por decisões feitas lá atrás. Falam da filha grávida que foi embora depois de uma briga e essa mãe, imóvel, pregou-se na cruz durante longos anos sem tomar uma atitude. E a tortura pesava ainda mais por não ter curtido os primeiros anos da neta.
Tenho visto também pessoas culpando os outros, tenho visto corações partidos e o amor transformando-se em raiva, em ódio. Tenho visto mulheres e homens rancorosos porque o casamento acabou após 25 anos, lamentando que não deu certo. Será que duas pessoas que conviveram 25 anos, viveram bons momentos, criaram filhos juntos, podemos dizer que não deu certo? O que é o certo?
Enquanto lamentamos e nos torturamos, deixamos de ver o colorido do mundo que se apresenta a cada manhã. Enquanto julgamos, deixamos de amar.
Para mim, no momento, a vida é boa. Às vezes dura, é verdade, mas boa, muito boa.
É assim como o mundo me parece hoje. E você, o que pensa sobre a sua vida?