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Hélio Mazzolli

terça | 11/10/2011

Meia entrada

Parece não ser surpresa para muita gente o fato de o Governo brasileiro concordar com algum compromisso com terceiros e depois simplesmente alterá-lo. Leva o assunto para o jeitinho brasileiro que nada mais vem a ser do que desrespeitar a Lei ou o acordado.
É o que se nota com a aceitação dos termos colocados pela FIFA para o Campeonato Mundial de 2014. Os termos foram aceitos e agora se levanta a celeuma de que itens ali constantes ferem a legislação brasileira.
Mas o que me leva a tomar o tema é lembrar a natureza da existência da meia entrada, ou seja, a cobrança de 50% do preço da entrada normal para espetáculos de lazer. A origem de tal adoção no mercado é a intenção de fazer com que os jovens possam participar de tais eventos de maneira que os "viciem" e que, na idade adulta, uma vez acostumados, passem a ser consumidores usuais.
De início, a concessão era feita de forma liberal pelo promotor do evento. Com o passar dos tempos, os políticos viram, no procedimento, uma forma de angariar a simpatia dos futuros eleitores e começaram a obrigar os empresários a concederem o benefício.
Esquecida a origem, a concessão foi ampliada para outros serviços públicos, notadamente o transporte de todas as espécies. Outro esquecimento é de que alguém tem que pagar pela redução imposta.
A esperteza de alguns já calcula que, com a meia entrada, o "prejuízo" será de milhões, numa conta em que calculam o dobro da venda estimada de meia entrada. Para mim, isso é uma falácia. Se o preço aumenta, haverá uma redução do número dos usuários. Elementar lei da elasticidade de preços na economia. Menos para o sal.