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Hélio Mazzolli

terça | 06/12/2011

Empresas e sócios

É difícil uma empresa pequena e média no Brasil operar por mais de 20 anos sem que surjam problemas entre os sócios. Os primeiros casos normalmente surgem após dez anos, mas são contornados com mais facilidade. A consequência fundamental é o enfraquecimento da empresa tornando-a candidata a uma sucessão, quando não a sua extinção.
Excluindo as posições de ramo e mercado, poderia dizer de forma empírica que duas são as principais causas, de formas isoladas ou cumulativas.
Essas sociedades geralmente são constituídas com um sócio cuidando da área que objetiva o negócio (comercial e/ou produção) e outro cuidando da área de apoio (administrativo e financeiro).
Normalmente no início das atividades a fixação das retiradas pro labore são reduzidas e sem ficarem muito claros os limites. Os lucros que forem sendo obtidos são reinvestidos no negócio.
Com o passar dos anos e com o aumento dos seus familiares, as necessidades pessoais se alteram e os sócios vão resolvendo os casos ano a ano, sem uma regra ajustada. Isso ocorre até que um deles se propõe a dividir o negócio ou vender a sua parte.
O recomendável é que tão logo quanto possível fixem uma percentagem do lucro líquido apurado anualmente para ser distribuída aos sócios durante o ano seguinte. Em se tratando de empresa que opera com mercadorias (industrial ou comercial), um bom número seria uma distribuição de 30% do lucro após os tri-butos. A outra parte continuaria ser investida no negócio ou em um novo negócio.
A segunda causa de desavenças é a operação que tem parte de informalidade. Uma sociedade que opera com informalidade é muito mais suscetível de conflitos entre os sócios porque é difícil manter secreto os registros informais. Outro inconveniente é que, se os sócios resolverem vender a empresa, dificilmente irão encontrar comprador disposto a pagar um bom preço.
De acordo com pesquisas da Fundação Getúlio Vargas, o percentual de informalidade na economia brasileira baixou de 21% em 2003 para algo em torno de 17% no corrente ano.