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Gildo Volpato

quinta | 26/08/2010

Diferentes comportamentos dos estudantes diante da sua aprendizagem

Estudos mais recentes mostram a necessidade de se considerar alguns elementos que são fundamentais no processo de ensinar e aprender. O autor espanhol Miguel Zabalza com base em pesquisas tem demonstrado que os professores organizam "coreografias" que orientam o processo de aprendizagem dos estudantes, mas não a determinam por si só. Ele aponta duas ideias que ficam claras em relação à concepção e a modelos dos processos de aprendizagem: os estudantes têm que ter um papel ativo no processo de aprendizagem, pois ela não se procede do exterior, e sim por meio dos elementos e significados que o próprio estudante deve construir; a necessidade de se considerar os contextos e as condições em que se produzem os processos de aprendizagem, uma vez que condicionam e até determinam os seus resultados.
Ele apresenta, embasado em pesquisas norte-americanas, três grandes estilos de aprendizagem entre os estudantes universitários: o surface approach (abordagem superficial), o deep approach (abordagem profunda) e o strategic approach (abordagem estratégica). Os estudantes surface approach possuem um modo de encarar a vida de estudante de forma fácil, superficial. São aqueles que costumam chegar atrasados, saem cedo das aulas, ficam mais em barzinhos do que em aula, pedem para os colegas colocarem seus nomes nos trabalhos, voltam apenas para assinar a chamada ou pedem para os colegas assinarem, etc. Estes até podem se formar, mas geralmente levam mais tempo e é bem provável que se tornem também superficiais na sua vida profissional.
Já os estudantes deep approach são os que se aprofundam nos estudos, que não se satisfazem com o que o professor deu de conteúdo, ou aprofundou, querem mais leituras, procuram ver mais filmes relacionados com o conteúdo, procuram textos complementares na internet, etc. Estão sempre surpreendendo e provocando os professores com as informações e conteúdos que pesquisaram. Estes, por terem um perfil até autodidata, provavelmente seguirão pesquisando, curiosos, querendo saber mais sobre os assuntos e conteúdos que possam auxiliar na resolução dos problemas concretos de sua profissão. Estudantes com posturas nestes dois extremos são mais raros.
São muitos, pelo contrário, os estudantes universitários strategic approach, ou seja, que aplicam enfoques estratégicos, o que significa que acomodam o seu papel como estudante aos requisitos que os professores lhes estabelecem. Se é preciso ler livros, irão ler livros; se for para ver filmes e fazer relatórios, o farão; se tiver que fazer trabalhos acadêmicos, farão os trabalhos e nas datas e condições solicitadas pelos seus professores; se tiver que memorizar conteúdos, dedicarão a isso seus esforços. Estes são os que provavelmente farão esforços durante a vida profissional para se manterem atualizados, pois sabem da sua responsabilidade como profissionais de determinada área de conhecimento.
O que fica claro é que parte da responsabilidade no processo de formação na universidade é do professor, de preparar boas aulas, de proporcionar um ensino de qualidade, e parte da responsabilidade é do aluno, que deve aprender, se apropriar, e construir o seu conhecimento, provocar o seu desenvolvimento, aproveitando todos os ambientes de aprendizagem.