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Gildo Volpato

quinta | 01/07/2010

Diferentes atitudes do ser humano diante da realidade

A alteração da realidade é o grande desafio do ser humano, uma vez que por esta atividade o homem se faz, se constitui enquanto tal, se transforma também. Neste contexto mais amplo é que se coloca a tarefa de planejar. Sonhos e ideias só se transformam em realidade se forem planejadas. Planejar significa antever uma intervenção na realidade visando sua mudança. A atualização de uma ação ou de uma ideia pressupõe que antes de tudo ela tenha sido tornada possível. Sendo assim, a possibilidade do planejamento está intrinsecamente ligada à possibilidade desta transformação vir a ocorrer.
Existem diferentes posturas para se enfrentar a realidade, para se concretizar ideias e alcançar sonhos. Uma atitude ingênua é aquela que leva o ser humano a ser muito otimista, a pensar simplesmente que "querer é poder", "se cada um fizer sua parte o problema se resolve". O que assim se posiciona geralmente não leva em conta as determinações sociais que estão presentes na realidade. Essa atitude ingênua pode levar o ser humano a ter uma empolgação inicial e um desânimo posterior.
Outra forma ingênua é pensar que é impossível haver mudanças, que não dá para fazer nada, que tudo está determinado por forças naturais, sociais e psicológicas maiores que o seu próprio poder. Que o problema é estrutural, é do sistema, que enquanto não mudar o sistema não adianta, resta esperar. O resultado desta atitude leva a um sentimento de impotência. O ser humano só poderá alcançar objetivos, ideias e sonhos se assumir uma atitude crítica diante da realidade. É o que Celso Vasconcelos chama de dialética "possível e impossível". Com esta postura é possível o ser humano perceber a complexidade que envolve a realidade.
Não há negatividade ou possibilidade pura. Há possibilidades e negatividades interagindo dinamicamente na mesma realidade. Trata-se de uma postura crítica porque procura desvendar o funcionamento da realidade, captar sua gênese e tendências de desenvolvimento. É transformadora porque a partir da compreensão da realidade procura interferir em seu processo, de forma a redimensioná-lo com vistas à alteração a que se propõe. Parte do princípio de que são os homens que fazem a transformação na história, pela ação no mundo, embora sob condições que herdaram e não que escolheram, como já preconizava Marx. Devemos considerar que o que modifica efetivamente a realidade é a ação e não as ideias. No entanto, a ação sem ideia é cega e ineficaz.
Novas ideias abrem possibilidades de mudança, mas não mudam.
O que muda a realidade é a prática consciente, comprometida com resultados objetivos, eficazes. Adolfo Sánchez Vázquez contribui com este entendimento quando afirma que "a teoria em si não transforma o mundo. Pode contribuir para sua transformação, mas para isto tem que sair de si mesma, e, em primeiro lugar, tem que ser assimilada pelos que vão ocasionar, com seus atos reais, efetivos, tal transformação. Entre a teoria e a atividade prática transformadora se insere um trabalho de educação das consciências, de organização de meios materiais e planos concretos de ação: tudo isso como passagem indispensável para desenvolver ações reais e efetivas. Nesse sentido, uma teoria é prática na medida em que materializa, através de uma série de mediações, o que antes só existia idealmente, como conhecimento da realidade ou antecipação ideal de sua transformação".