Gildo Volpato
Dia do Estudante: esperança renovada
O Dia do Estudante foi instituído no Brasil, em 1927. A escolha da data se deve a um evento ocorrido cem anos antes, 11 de agosto de 1827, portanto, quando D. Pedro I instalou os dois primeiros cursos de Ciências Jurídicas e Sociais do país: um em São Paulo e outro em Olinda, este depois transferido para Recife. Até essa data, quem quisesse entender o mundo das leis tinha que ir a Coimbra, Portugal, onde havia a faculdade mais próxima. Cem anos após, Celso Gand Ley, um dos participantes das comemorações do centenário da criação dos cursos de Direito no Brasil, propôs que a data fosse escolhida para homenagear todos os estudantes (site Brasilescola.com).
Hoje, na era da plena difusão do conhecimento e da mais sofisticada tecnologia de comunicações, com informações circulando o planeta à velocidade da luz e o acesso cada vez mais livre ao conhecimento e à ciência, a educação continua na ordem do dia. O estudante continua sendo depositário das esperanças de todos por um futuro melhor e uma sociedade mais justa e a educação nunca deixou de ser o instrumento mais importante para o alavancamento de qualquer processo nacional de desenvolvimento. Os estudantes são os nossos heróis. Mesmo que inconscientemente, não lutem e se esmerem de forma egoísta apenas pelo seu desenvolvimento pessoal. Mesmo quando assim o querem, estão na verdade garantindo, a médio prazo, avanços para toda a sociedade.
Mas nossas esperanças não residem apenas no aperfeiçoamento técnico e profissional. Há que se preparar para o exercício da cidadania, da responsabilidade social, da ética e dos valores humanos fundamentais. Mais do que nunca precisamos de cidadãos voltados para o bem e para o belo, no sentido da harmonia social fundamentada na ética e na estética. Como já disse o nosso mais famoso estudante, que, apesar de "fraco" nos bancos escolares, se revelou depois um dos maiores gênios da ciência, Albert Einstein: "Não basta apenas a teoria. É fundamental que o estudante adquira uma compreensão e uma percepção nítida dos valores. Tem que aprender a ter um sentido bem definido do belo e do moralmente bom".
Mas esses heróis, exatamente, por serem o que são, e representarem a possibilidade de uma nova era de consciência e renovação, têm de enfrentar forças adversas que não tornam seu caminho mais fácil. Pelo contrário, a realidade do estudante no Brasil, tem sido histórica e paradoxalmente, definida: plena de contradições e inversão de prioridades. Felizmente, já se podem sentir alguns novos ventos, e o sonho de um curso superior cada vez mais, deixa de ser um sonho e multiplicam-se as oportunidades para que se torne realidade. Na Unesc, por exemplo, mais de 50% dos alunos têm algum tipo de bolsa ou benefício. Mesmo assim, devemos continuar lutando por condições melhores, principalmente quanto à permanência.
Para os nossos heróis, que compartilham conosco parte dessa responsabilidade de lutar por uma sociedade mais justa e mais fraterna, fica parte dos versos de Milton Nascimento da canção Coração de Estudante:
"Mas renova-se a esperança, nova aurora a cada dia.
E há que se cuidar do broto, pra que a vida nos dê cor, flor e fruto.
Coração de Estudante (M. Nascimento e Wagner Tiso), há que se cuidar da vida, há que se cuidar do mundo. Tomar conta da amizade, alegria e muito sonho.
Espalhados no caminho, muito sonho
Verdes: planta e sentimento
Folhas, coração, juventude e fé".
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