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Beto Colombo

quinta | 19/08/2010

Cativar

O Príncipe encontrou-se com um bichinho em um distante mundo, bichinho esse que ele nunca havia encontrado antes, uma raposa. A raposa lhe disse:
- Você quer me cativar?
- O que é isso? - Perguntou o menino.
- Cativar é assim. - Disse a raposa: - Eu me assento aqui, você se assenta lá, bem longe. Amanhã a gente se assenta mais perto e assim aos poucos, cada vez mais perto...
O tempo passou, o Principezinho cativou a raposa e chegou a hora de partir.
- Eu vou chorar. - Disse a raposa.
- Não é minha culpa. - Desculpou-se a criança. - Eu lhe disse, eu não queria cativá-lo. Não valeu a pena, você percebe? Agora você vai chorar!
- Valeu a pena sim. - Respondeu a raposa. - Quer saber por quê? Sou uma raposa, não como trigo, só como galinha. O trigo não significa absolutamente nada para mim, mas você me cativou. Seu cabelo é louro e agora, na sua ausência, quando o vento fizer balançar o campo de trigo eu ficarei feliz pensando em você.
(Texto retirado do livro O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, jornalista e piloto francês.)
Com esse texto batemos aquele papo gostoso na sexta-feira à tarde, na Feira do Livro, na Praça Nereu Ramos.
Algumas pessoas não estão satisfeitas com o rumo que levou sua vida, reclamam que ficou monótona, que virou rotina, o livro O Pequeno Príncipe também trata desse assunto, quando a raposa se queixa da sua vida. "Eu caço galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também e por isso fico aborrecida, mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol".
Quando o Príncipe disse que não tinha mais tempo para cativar-lhe, a raposa diz:
- Os homens não têm mais tempo para conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas, como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos.
A dica de como cativar está nesse livro escrito em 1943 e observem que na época a televisão e os meios que enclausuram os homens ainda não existiam do jeito de hoje.
- Tu queres ser meu amigo, cativa-me.
- Que é preciso fazer? - Perguntou a criança.
- É preciso ser paciente (paz-ciência). - Respondeu a raposa.
E assim, mesmo ausente em cada balançar dos trigos, o Príncipe se fazia presente para a raposa naquele distante planeta.
- Cada vez que ofereço a outra face, que amo o próximo, Cristo se faz presente.
- Cada vez que quero mudar o mundo do outro sem mudar a mim mesmo, Gandhi se faz presente.
- Cada vez que fico em paz fazendo o bem, trago de volta Victor Hugo. "O bem que se faz purifica a alma" e de novo ele volta quando vejo uma dedicada professora pacientemente ensinando uma criança: "Cada criança que se ensina é um homem que se conquista".
Algumas pessoas estão esquecendo o encantamento do cativar, estão se fechando em seus quartos, em seus mundos com suas televisões, celulares, internet... e perdendo o sabor do encontro, do bate-papo, da troca de experiência, de informação, do conhecimento e deixam de sentir a magia do cativar.
E você, o que tem feito para cativar?
Isso é assim para mim.
Estamos juntos
Beto Colombo